Dados alarmantes sobre a violência doméstica no Brasil
Uma nova atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, desenvolvido pelo Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, revelou que cerca de 29 milhões de brasileiras foram vítimas de algum tipo de violência no âmbito familiar nos últimos doze meses. O estudo também destacou que uma impressionante parcela de 93,6% das vítimas nunca procurou a polícia, seja através das delegacias, do Ligue 180 ou do 190, evidenciando uma grave desconexão entre a experiência de violência e a busca por ajuda.
A pesquisa aponta que, embora 33% das mulheres entrevistadas tenham vivenciado situações de violência no último ano, apenas 4% reconheceram espontaneamente essas experiências como violência doméstica. Curiosamente, ao serem questionadas sobre situações específicas sem a menção direta da palavra “violência”, esse percentual subiu para 33%, revelando uma subnotificação preocupante.
Tipos de violência e a relação entre agressor e vítima
Entre os tipos de agressão mais comuns, a violência psicológica foi a mais relatada, representando 88% dos casos, seguida pela violência moral (81%) e física (81%). Além disso, 41% das mulheres mencionaram ter enfrentado violência patrimonial, e 30% sofreram agressões de natureza sexual. Notavelmente, a maioria das agressões é cometida por parceiros afetivos, como maridos ou namorados, que representam 70% dos casos, um aumento preocupante em relação aos 58% registrados em 2023.
Padrões preocupantes de testemunhas infantis
Outro dado alarmante trazido pela pesquisa é a presença de testemunhas durante as agressões. Dos casos de violência relatados, 71% aconteceram na frente de outras pessoas, abrangendo mais de 2,6 milhões de episódios. O estudo revelou que 71% dessas testemunhas eram crianças, e quatro em cada cinco delas eram filhos da vítima, o que acentua a urgência de se abordar a questão da violência doméstica de maneira mais abrangente.
Reflexões sobre a Lei Maria da Penha e seus desafios
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, associou a divulgação dos dados à celebração dos 20 anos da Lei Maria da Penha, enfatizando a importância de entender a fundo o fenômeno da violência para combatê-lo efetivamente. Ele ressaltou que esses resultados expõem uma dimensão da violência que ainda é pouco visível.
Violência contra mulheres trans e travestis
A pesquisa também abordou a violência contra mulheres trans e travestis, que ainda são sub-representadas nas estatísticas oficiais. Das 43 mulheres entrevistadas, 70% se identificaram como negras, pardas ou indígenas, e 56% relataram ter sofrido violência doméstica no último ano. Apesar disso, apenas 9% reconheceram esses episódios como violência, o que indica uma necessidade urgente de conscientização e suporte.
Embora a Lei Maria da Penha proteja as mulheres trans desde 2022, 88% das vítimas entrevistadas não buscaram serviços de proteção. A maioria das agressões foi cometida por parceiros românticos, com ciúmes e desconforto com términos sendo os principais motivos apresentados.




