A médica veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, perdeu a vida em decorrência de um ataque de um cão do Senado Federal, conhecido como Jethro, da raça pastor-belga-malinois. O incidente ocorreu em 18 de agosto e gerou uma série de questionamentos sobre a segurança dos animais na instituição, especialmente considerando que Vitória já havia publicado um artigo em 2024 a respeito do comportamento agressivo do animal.

No estudo, realizado enquanto a veterinária atuava como estagiária no Senado, a pesquisa revelou que dentre os quatro cães do canil, apenas Jethro apresentou um quadro de agitação e agressividade, recebendo notas alarmantes: 9 em uma escala de 10 para agressividade e 10 para alerta. Essas informações levantam preocupações significativas sobre a adequação do tratamento e as condições em que os animais eram mantidos.

Comportamento Agressivo e Condições do Canil

O artigo também identificou anomalias comportamentais no cão, como girar no próprio eixo e saltar nas paredes, o que poderia ser um indicativo de estresse e baixo bem-estar, emergindo como um sinal de frustração frequente no animal. O estudo sublinha que cães da raça pastor-belga-malinois, especialmente aqueles em ambientes de trabalho, frequentemente enfrentam altos níveis de ansiedade e tédio, o que pode ser exacerbado por uma falta de espaço adequado e interação.

Além disso, o canil apresentava problemas estruturais sérios, como boxes de tamanho insuficiente — com áreas variando entre 6,21 m² e 6,63 m², quando o mínimo recomendado é de 8 m² por animal acima de 20 kg. Essa dificuldade de espaço era parcialmente compensada pelo tempo que os cães passavam fora dos boxes, participando de atividades de treinamento e outras funções.

Outro aspecto crítico abordado no estudo foi a ausência de camas para descanso, o que resultou em calos em três dos quatro cães. Essa prática inadequada poderia levar a dermatites de contato e comprometer ainda mais o bem-estar dos animais. Além disso, a pesquisa apontou que a falta de um médico veterinário no local dificultava o atendimento de emergência, o que poderia ter contribuído para a gravidade do estado de Vitória após o ataque.

Repercussão do Ataque e Medidas Tomadas

Após o ataque que resultou em ferimentos graves na artéria do pescoço de Vitória, a médica foi socorrida e internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde lutou pela vida por quatro dias, mas infelizmente não sobreviveu. O Senado manifestou seu pesar pela perda e anunciou que o cão que atacou a veterinária foi retirado das atividades operacionais, passando por exames e permanecendo sob observação.

Vitória havia iniciado sua carreira no Senado como estagiária em 2022 e continuou a trabalhar na Casa como profissional terceirizada. A trágica morte dela expõe a necessidade urgente de revisões nas práticas de manejo e cuidado dos animais que estão sob a responsabilidade do Senado, especialmente considerando os alertas já feitos pela própria veterinária sobre o comportamento do cão no qual a segurança de todos deveria ser prioridade.