Investigações conduzidas pela Polícia Federal trouxeram à tona uma série de interações e tentativas de aproximação entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e a cúpula da Procuradoria-Geral da República. Registros extraídos do telefone celular do empresário revelam como um intermediário atuava para criar canais de diálogo e oferecer facilidades ao procurador-geral, Paulo Gonet, em um período crítico para a instituição financeira.
O acervo probatório em posse dos investigadores destaca a atuação do advogado Ciro Soares, ex-defensor de Vorcaro, que se apresentava como ponte entre o banqueiro e o chefe do Ministério Público Federal. Diálogos interceptados mostram o compartilhamento de fotos, recados atribuídos ao PGR e o alinhamento de detalhes logísticos para eventos internacionais financiavelmente suportados pela estrutura de Vorcaro.
Financiamento de viagens e benesses a familiares
As mensagens revelam que a relação buscava extrapolar o campo estritamente formal. Durante a organização do Fórum Jurídico – Brasil de Ideias na capital britânica, idealizado pelo próprio fundador do Banco Master, o advogado solicitou a inclusão de Pedro, filho de Paulo Gonet, na comitiva oficial. Registros do aplicativo apontam que Vorcaro consentiu de imediato com o custeio integral das despesas do familiar do PGR, vetando, contudo, o financiamento para outros nomes da lista.
Além da troca de texto sobre bilhetes e hospedagens, a Polícia Federal anexou aos autos uma fotografia em que Vorcaro e Gonet aparecem no mesmo ambiente em Londres. Na imagem — cuja autenticidade foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República —, o PGR surge fumando um charuto ao lado de copos de uísque, acompanhado pelo empresário e outros presentes.
Tentativas de intervenção em processos judiciais
A apuração policial indica que os movimentos buscavam estabelecer uma rede de proteção institucional diante dos desdobramentos investigativos contra o Banco Master. Em um trecho de destaque, Vorcaro consultou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, questionando sobre a viabilidade de acionar "Paulo" e "Andrei" — menções diretas a Gonet e a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal — para tentar reverter decisões desfavoráveis à sua instituição.
- Intermediação frequente: Registros apontam o uso ostensivo da figura do ex-advogado do banco como conector com o PGR.
- Custeio seletivo: Vorcaro deu aval explícito para bancar gastos internacionais do filho do procurador-geral.
- Escrutínio interno: O Conselho Superior do MPF avalia a conduta do PGR em procedimento próprio.
A posição oficial do procurador-geral
Em manifestação pública durante sessão no STF, Paulo Gonet negou veementemente qualquer vínculo de proximidade ou intimidade com Daniel Vorcaro. O PGR sustentou que sua presença no evento em Londres ocorreu estritamente dentro de uma agenda institucional ampla, cercada de diversas autoridades públicas, e que o registro fotográfico refere-se a um momento pontual ocorrido em abril de 2024.
Gonet reforçou que jamais cometeu qualquer desvio ético ou ato ilícito e que os elementos apresentados não comprovam irregularidades em sua atuação à frente da Procuradoria. Paralelamente, o Conselho Superior do Ministério Público Federal debate desdobramentos do caso no âmbito interno.




