Estudo Revela Diferenças no Uso de Serviços de Saúde Mental entre Jovens
Uma nova pesquisa publicada no JAMA Network Open destaca a crescente utilização de serviços de saúde mental entre jovens LGBTQIAPN+. De acordo com os dados analisados, esses jovens, em comparação com seus pares cisgêneros e heterossexuais, têm uma probabilidade significativamente maior de buscar atendimentos ambulatoriais e de emergência.
Realizado com 1.326 jovens da província de Quebec, no Canadá, o estudo focou em indivíduos acompanhados desde a infância até os 23 anos. Dentre os participantes, 340 pertenciam a grupos de diversidade sexual ou de gênero, e os resultados indicam que esse grupo apresentou 41% mais chances de acessar serviços ambulatoriais de saúde mental e quase o dobro de probabilidade de recorrer a emergências em relação aos jovens cisgêneros e heterossexuais.
Dados e Metodologia do Estudo
Os pesquisadores analisaram dados coletados através do Estudo Longitudinal de Desenvolvimento Infantil de Quebec, vinculando informações pessoais a registros do sistema de saúde local. Foram examinados atendimentos ambulatoriais ao longo da vida, internações entre os 8 e 23 anos e visitas a serviços de emergência entre os 18 e 23 anos. A orientação sexual e a identidade de gênero foram reportadas pelos participantes na faixa etária de 23 anos.
No início da vida, não foram observadas diferenças significativas no uso de serviços ambulatoriais. No entanto, à medida que os jovens envelheceram, a discrepância começou a se manifestar. Entre os 18 e 23 anos, 40,9% dos jovens LGBTQIAPN+ buscou atendimento ambulatorial, em comparação com 30,6% dos jovens cisgêneros e heterossexuais.
Aumento Significativo no Uso de Emergências
A maior diferença foi notada nas emergências. Dos 18 aos 23 anos, 15% dos jovens com diversidade sexual ou de gênero procuraram serviços de emergência por questões de saúde mental, em contraste com 7,6% dos jovens cisgêneros e heterossexuais. Mesmo após ajustes estatísticos, os dados indicam que a procura por emergências entre os jovens LGBTQIAPN+ permanece quase duas vezes superior ao de seus pares.
Entre os principais motivos listados para os atendimentos estão crises de ansiedade e situações estressantes. Em relação às internações, 7,4% dos jovens LGBTQIAPN+ precisaram de hospitalização por problemas de saúde mental, enquanto essa taxa era de 4,8% entre os participantes cisgêneros. Contudo, essa diferença não se mostrou estatisticamente significativa após as análises ajustadas.
Fatores Relacionados e Implicações do Estudo
Os autores do estudo enfatizam que suas descobertas não comprovam que a orientação sexual ou identidade de gênero causem problemas de saúde mental, mas sugerem que fatores como discriminação, bullying e estresse associado à minoria podem contribuir para as desigualdades observadas. Além disso, um suporte social adequado pode atuar como um fator protetor contra esses desafios.
A maior busca por serviços de emergência pode ser interpretada como um indicativo de que as necessidades de saúde mental não estavam sendo atendidas antes que os jovens chegassem a uma situação crítica. Contudo, os pesquisadores ressaltam que o estudo possui limitações, como a falta de abrangência em alguns tipos de atendimento e a pequena amostra de participantes com diversidade de gênero.
Esses dados reforçam a necessidade de um acesso mais amplo e adequado a serviços de saúde mental desde a infância, para que questões emergentes não evoluam para crises que exijam intervenções de emergência.




