A escalada da violência na zona norte do Rio de Janeiro chegou a novos patamares com o uso de drones armados por facções criminosas. A disputa pelo controle territorial entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) transformou o espaço aéreo de comunidades como Cordovil, Brás de Pina e Penha em um campo de batalha.
Na manhã desta terça-feira (4/8), o clima de medo se intensificou após uma série de ataques aéreos. O conflito, que já havia se agravado no mês passado com a invasão da comunidade do Dourado pelo TCP, agora se desenrola em múltiplas frentes, com o uso de tecnologia de drones para lançar granadas sobre áreas densamente povoadas.
O líder do TCP, Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, orquestrou a invasão que resultou na morte de sete pessoas, incluindo uma jovem autista de 22 anos. Este trágico episódio gerou indignação entre os moradores e evidenciou a brutalidade do confronto.
Em resposta à perda de território, o CV mobilizou suas forças sob o comando de Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, que designou Bruno Silva Souza, o Tiriça, para liderar as operações de retaliação. Tiriça, com experiência em confrontos no Complexo da Penha, trouxe novas táticas de combate urbano, levando ao crescente uso de drones armados.
Os drones, que oferecem uma nova dimensão ao combate, estão sendo usados de forma indiscriminada, resultando em vítimas civis. Um incidente particularmente alarmante ocorreu no último sábado, quando um drone do CV lançou uma granada sobre uma festa infantil no Dourado, ferindo duas pessoas e provocando pânico entre os participantes.
A tensão continua a aumentar, com relatos de intenso tiroteio na região da Cidade Alta, onde traficantes do Complexo da Penha dispararam em direção à comunidade. Vídeos e testemunhos de moradores confirmam que as balas estão vindo do Morro da Caixa d'Água, nas proximidades de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), evidenciando a fragilidade da segurança na área.
Os moradores, encurralados em suas casas, vivem sob constante ameaça, enquanto forças de segurança tentam conter a situação. A guerra entre as facções não mostra sinais de desaceleração, e a utilização de drones apenas exacerba o medo e o desespero na comunidade.




