A partir de hoje, 3 de setembro de 2026, a União Europeia inicia a suspensão das importações de produtos de origem animal do Brasil. Essa decisão se baseia nas novas normas do bloco relacionadas ao uso de antimicrobianos, que afetam principalmente a carne bovina, carne de frango, ovos, mel e tripas destinadas ao consumo humano.

O anúncio da suspensão foi feito em maio, quando o Brasil foi removido da lista de países que atendem às exigências da regulamentação europeia. De acordo com a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu garantir que os animais destinados ao mercado europeu não são tratados com antimicrobianos para crescimento ou com medicamentos reservados para uso humano.

Para a carne bovina, Bruxelas exige que haja controle rigoroso durante todo o ciclo de vida do animal. É importante ressaltar que essa medida não decorre de irregularidades detectadas em lotes de carne brasileira, mas sim das dificuldades do Brasil em provar que cumpre as normas exigidas pela UE.

O governo brasileiro havia elaborado um protocolo de certificação para bovinos que não utilizam antimicrobianos, além de manter diálogos com a União Europeia. No entanto, essas ações não foram suficientes para evitar a suspensão. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) expressou preocupações sobre os prejuízos que a medida pode causar ao setor e solicitou ao governo que tome providências imediatas.

Em um ofício enviado ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o presidente da CNA, João Martins, pediu que o Itamaraty considere acionar o Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões, conforme estipulado no acordo entre Mercosul e União Europeia. A confederação argumenta que a suspensão pode impactar negativamente os benefícios comerciais previstos e sugere que o Brasil busque compensações equivalentes. Em última instância, a CNA propôs que o país considere suspender proporcionalmente as concessões tarifárias oferecidas aos europeus.

O mercado europeu, embora represente apenas 3,7% do volume total de carne bovina exportada pelo Brasil, é considerado estratégico. O bloco responde por 5,8% da receita das exportações do setor, pagando cerca de US$ 10 por quilo, enquanto a China paga, em média, US$ 6,50. Além disso, as rigorosas exigências da União Europeia fazem dela uma referência para produtores que desejam acessar outros mercados com padrões elevados.

Em 2025, os setores afetados exportaram US$ 2,026 bilhões para a União Europeia, sendo US$ 1,064 bilhão em carne bovina e US$ 781,4 milhões em carne avícola. Na última quarta-feira, 2 de setembro, o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o governo brasileiro não cometeu falhas significativas nas tentativas de evitar a suspensão.