Minas Gerais e o desafio no setor de serviços

No primeiro semestre de 2026, o setor de serviços de Minas Gerais apresentou um desempenho abaixo da média nacional, registrando uma queda acumulada de 0,9%. Em contrapartida, o Brasil viu um crescimento de 2% nesse mesmo período, conforme dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pela Fecomércio MG.

O resultado de junho especialmente reforçou essa tendência de perda de ritmo. Em comparação ao mês anterior, o volume de serviços em Minas Gerais caiu 0,6%, após dois meses consecutivos de alta. No cenário nacional, o indicador manteve-se estável nesse intervalo.

Comparações anuais evidenciam a disparidade

Quando analisamos a comparação anual, a disparidade se torna ainda mais evidente. Em junho de 2025, o desempenho do setor em Minas cresceu apenas 0,7%, enquanto o avanço nacional foi de expressivos 2%. A economista Fernanda Gonçalves, da Fecomércio MG, ressalta que essa situação evidencia uma recuperação desigual entre as diferentes atividades econômicas do estado.

“A recuperação do setor de serviços em Minas Gerais é mais lenta. O recuo observado em junho, após um período de crescimento, indica que o setor ainda enfrenta desafios para manter uma trajetória consistente de crescimento”, explica Gonçalves.

Desempenho negativo em 12 meses

O acumulado dos últimos 12 meses também revela uma performance preocupante para Minas Gerais. Entre julho de 2025 e junho de 2026, enquanto o setor de serviços brasileiro cresceu 2,6%, Minas experimentou uma retração de 0,7%. Essa diferença de 3,3 pontos percentuais aponta para uma recuperação mais lenta ao longo de todo o período analisado.

A análise por segmentos mostra que o setor de transportes, que representa uma parte significativa das atividades de serviços no estado, enfrentou um declínio de 4,6% na comparação com o ano anterior. Já os serviços prestados às famílias apresentaram queda de 1,1% na comparação anual.

Segmentos de destaque em meio à crise

Apesar do panorama negativo, alguns segmentos se destacaram positivamente. O setor de informação e comunicação, por exemplo, cresceu 6,7% em relação a junho de 2025 e 3,3% no acumulado do ano. Outros serviços também mostraram crescimento, com 1,8% de aumento na comparação anual.

No entanto, esses resultados positivos não foram suficientes para compensar as perdas significativas de setores que têm um peso maior na economia de serviços de Minas Gerais. A análise indica que, embora haja áreas em crescimento, a combinação de retrações em segmentos relevantes limita a recuperação geral.

O que esperar para o futuro?

Fernanda Gonçalves destaca que uma recuperação mais robusta dependerá do desempenho de setores relacionados à mobilidade, logística, turismo e serviços voltados às famílias. “Esses segmentos têm um impacto direto sobre a circulação de renda e a atividade econômica”, afirma.

Os dados sinalizam que a recuperação do setor de serviços em Minas Gerais será um processo gradual e menos disseminado em comparação ao desempenho nacional, evidenciando a necessidade de uma análise aprofundada e estratégias adequadas para enfrentar os desafios que se avizinham.