Santa Cruz de Goiás, uma cidade marcada por um passado rico e significativo na história de Goiás, comemorará 297 anos de fundação nesta quinta-feira, 27 de agosto. O governador Daniel Vilela, junto a diversos secretários e autoridades, irá despachar temporariamente da cidade, renovando um antigo laço com a capital goiana e celebrando tradições históricas.

A cidade, que já foi sede do governo entre 1839 e 1870, revive um momento especial ao acolher o governo estadual novamente, após quase três séculos desde que a antiga sede administrativa foi transferida. O retorno acontece em um contexto simbólico, onde a história se entrelaça com o presente.

Santa Cruz de Goiás foi fundada em um período em que o sertão goiano atraía bandeirantes em busca de ouro. De acordo com relatos históricos, Manoel Dias da Silva, um desses bandeirantes, avistou ouro na região e, como demonstração de gratidão, ergueu uma cruz que deu nome ao lugar. A partir daí, o arraial começou a se desenvolver ao redor dessa cruz e da capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

No século XVIII, a cidade se consolidou como um centro populacional, tornando-se distrito em 1759, vila em 1833 e, finalmente, cidade em 1884. Durante esse período, seu território era significativamente maior, abrangendo áreas que atualmente são cidades emancipadas, como Pires do Rio e Cristianópolis.

Transformações e Desafios

A trajetória de Santa Cruz não foi linear. Em 1938, a cidade perdeu sua autonomia e foi rebaixada a distrito, enquanto Pires do Rio tornou-se a nova sede municipal. Em 1943, o nome Santa Cruz foi substituído por Corumbalina, um episódio que simbolizou a perda de prestígio da cidade. Contudo, em 1947, após um período de reestruturação, a cidade recuperou seu nome e status de município.

A fase mais notável da história de Santa Cruz foi entre 1839 e 1870, quando a cidade abrigou o governo de Goiás devido a uma grande enchente que afetou a antiga capital, Vila Boa. Assim, durante três décadas, Santa Cruz tornou-se o centro do poder provincial.

Relação com a Cultura e a Tradição

A celebração de 297 anos não é apenas uma recordação do passado, mas uma reafirmação da identidade cultural de Santa Cruz. Desde 2017, a cidade tem recebido anualmente a transferência simbólica da capital, um evento interrompido em 2020 e 2021 devido à pandemia, mas que voltou a ser realizado no ano seguinte.

Entre as tradições preservadas pela cidade, destacam-se as Cavalhadas e a Contradança, que são reconhecidas como patrimônio histórico e cultural de Goiás. As Cavalhadas, que datam de mais de 200 anos, são uma das manifestações culturais mais antigas do estado, enquanto a Contradança mistura teatro popular, religião e dança, sendo uma celebração vibrante das raízes goianas.

Atualmente, Santa Cruz de Goiás abriga cerca de 2.819 habitantes e mantém uma área de aproximadamente 1.109 quilômetros quadrados. O município é cercado por paisagens naturais exuberantes, como o Rio do Peixe e a Cachoeira do Ló, além de conservar edificações que remontam ao período colonial.

Apesar das mudanças ao longo dos séculos, a cidade persiste, sempre lembrando suas origens e mantendo vivas as histórias que moldaram sua identidade. Nesta data especial, Santa Cruz de Goiás reafirma seu lugar na história de Goiás, celebrando não apenas seu passado, mas também seu presente e futuro.