O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma leve alta de 0,07% em julho de 2026, conforme revelado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11/8). Embora a variação tenha sido moderada, o setor de Habitação se destacou como o principal responsável pelo aumento da inflação, apresentando uma elevação de 0,99%.

Conforme detalhado pelo IBGE, o grupo de Habitação foi responsável por 0,15 ponto percentual da inflação total do mês, impulsionado principalmente pela alta dos custos de energia elétrica. A tarifa de energia elétrica subiu 3,09% em julho, um aumento significativo em comparação com a variação de 1,53% observada no mês anterior. Este cenário foi exacerbado pela bandeira tarifária amarela, que implica um acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Além do aumento nas tarifas, diversas concessionárias implementaram reajustes consideráveis: uma das fornecedoras em São Paulo teve uma elevação de 8,85% a partir de 4 de julho, enquanto em Porto Alegre o aumento foi de 14,89% desde 19 de junho, e em Curitiba, a alta atingiu 19,55%, em vigor desde 24 de junho. O impacto total no grupo de Habitação também foi influenciado por um aumento nas tarifas de água e esgoto.

Outro setor que contribuiu para os resultados da inflação foi o de saúde e cuidados pessoais, que registrou uma alta de 0,40%. O aumento nos preços dos planos de saúde, que teve uma variação de 0,42%, foi impulsionado pelos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para planos contratados sob a Lei nº 9.656/98, o reajuste autorizado foi de até 5,11% a partir de maio de 2026, com validade até abril de 2027.

Por outro lado, algumas categorias registraram quedas nos preços. O grupo de Transportes, por exemplo, viu uma diminuição de 1,44% nos combustíveis, com os preços do etanol caindo 2,26%, da gasolina 1,37%, do óleo diesel 1,22% e do gás veicular 0,08%. O setor de Alimentação e Bebidas também apresentou um recuo de 0,67%, influenciado principalmente pela queda nos preços de produtos como tomate (-29,09%) e batata-inglesa (-19,59%).

O IPCA, que é utilizado como referência para a inflação no Brasil, é calculado desde 1979 pelo IBGE. Esse índice mede as variações mensais dos preços de uma cesta de produtos e serviços, abrangendo cerca de 90% da população urbana do país. Ele é fundamental para orientar as decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros, a Selic.

As variações por grupos em julho foram as seguintes:

  • Alimentação e bebidas: -0,67%
  • Habitação: 0,99%
  • Artigos de residência: 0,07%
  • Vestuário: -0,66%
  • Transportes: 0,05%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,40%
  • Despesas pessoais: 0,22%
  • Educação: -0,03%
  • Comunicação: 0,04%