Um relatório técnico, solicitado pela Sustentare Saneamento S/A, expôs diversas condições de risco que acometem os trabalhadores do Aterro Sanitário de Samambaia, no Distrito Federal, meses antes do falecimento do mecânico Anderson Araújo, de 44 anos. O trágico incidente ocorreu no dia 1º de agosto, quando Araújo foi atropelado por um trator enquanto realizava manutenção no local.

O documento, elaborado em abril deste ano, classifica as situações encontradas como de "risco grave e iminente à saúde e segurança dos colaboradores". O relatório foi assinado no dia 30 de abril e suas conclusões se basearam em inspeções realizadas entre os dias 27 e 30 do mesmo mês.

Entre os principais problemas destacados, o relatório menciona a presença de trabalhadores em áreas de descarga, onde caminhões descarregam materiais e onde existe risco de tombamento e esmagamento. A situação se torna ainda mais alarmante diante da ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) por parte de muitos operários, que frequentemente se posicionam entre máquinas em movimento, desconsiderando as orientações de segurança.

Entenda o caso

O Corpo de Bombeiros foi acionado no domingo para atender a um atropelamento no Aterro Sanitário. Ao chegarem, encontraram Anderson Araújo já sem vida. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), ele estava realizando manutenção em uma máquina quando se deslocou para a área de operação de um trator. Durante uma manobra em marcha à ré, o trator o atingiu. O operador do trator alegou que não viu o mecânico e só tomou ciência do acidente após o impacto.

A PCDF está conduzindo uma investigação de homicídio culposo, que inclui a apuração das circunstâncias da morte e a remoção do corpo. O Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU-DF) confirma que Anderson era parte do consórcio Sustentare/Valor Ambiental que opera o aterro.

Condições de Trabalho Preocupantes

O relatório também destaca que, além da falta de EPIs, os caminhões estavam realizando descargas em proximidade excessiva, aumentando o risco de acidentes. A velocidade dos veículos no aterro frequentemente ultrapassa os 30 km/h permitidos, contribuindo para um ambiente de trabalho perigoso. Outras questões levantadas incluem a presença de pombos nas instalações, problemas estruturais e de higiene, bem como a realização de atividades não autorizadas na ordem de serviço.

A Sustentare Saneamento S/A não se manifestou sobre o caso até o momento, e o espaço permanece aberto para comentários.