Belo Horizonte – A Justiça de Minas Gerais decidiu tornar réu o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Pedro Benedito Casagrande, em um caso de injúria e discriminação contra uma pessoa com deficiência. A decisão foi proferida pelo juiz Bernardo Campos Mitre, da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, e divulgada na quarta-feira, 6 de agosto.
Os fatos ocorreram no dia 2 de fevereiro, no bairro Santo Antônio, região Centro-Sul da capital mineira. Segundo informações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o professor teria estacionado seu veículo obstruindo uma rampa de acessibilidade localizada em frente ao restaurante da esposa da vítima. Essa ação impediu que um cadeirante, sua companheira e uma cuidadora pudessem acessar o local.
Após ser alertado sobre a irregularidade de seu estacionamento, o professor retirou o carro, mas, em seguida, começou a proferir comentários ofensivos e depreciativos em relação à condição da vítima. De acordo com a denúncia, cerca de duas horas depois do primeiro incidente, Pedro retornou ao restaurante e repetiu as ofensas na presença de funcionários e testemunhas.
As consequências desses atos foram profundamente negativas para o cadeirante, que sofreu um forte impacto emocional, conforme relata o MPMG. Testemunhas afirmaram que, após o ocorrido, o homem demonstrou sinais de sofrimento intenso, chorando ao voltar para casa e tornando-se mais recluso. Sua resistência em frequentar o restaurante da família também aumentou.
A esposa do cadeirante relatou que sentiu medo e vulnerabilidade após o episódio, a ponto de contratar um segurança particular para proteger o restaurante, temendo uma possível nova visita do professor. A cuidadora da vítima observou um agravamento da rigidez corporal do homem, evidenciando o impacto do incidente em sua saúde mental.
O juiz Bernardo Campos Mitre, ao fundamentar a decisão, destacou que as provas coletadas durante a investigação demonstram a materialidade do crime, além de indícios da autoria por parte do professor. Ele ressaltou que as evidências justificam a instauração da ação penal.
A defesa de Pedro Benedito Casagrande agora terá um prazo de dez dias para apresentar sua resposta às acusações. A reportagem busca contato com a defesa para obter mais informações sobre o caso, mantendo o espaço aberto para manifestações.




