Recentemente, uma escola para implantes odontológicos em desuso, localizada no Setor Central de Goiânia, tornou-se um foco de preocupação para a Polícia Militar (PM). Durante uma vistoria, os agentes descobriram a presença de materiais e equipamentos radioativos no local, que frequentemente é invadido por pessoas em situação de vulnerabilidade social, além de ser um ponto de circulação de usuários de drogas e indícios de tráfico.
Dada a gravidade da situação e o potencial risco de exposição a esses materiais perigosos, a PM acionou a Prefeitura de Goiânia, enfatizando a necessidade de uma avaliação técnica especializada. Essa ação foi motivada pela memória do histórico acidente com o Césio-137, que, há 39 anos, impactou a cidade de forma devastadora.
Uma equipe da Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic), juntamente com a PM, programou uma vistoria no imóvel já nesta quarta-feira, 12 de outubro. A escola foi identificada após a prisão de dois indivíduos suspeitos de furtos em um comércio próximo, ocorrida na terça-feira, 11 de outubro. Apesar de estar abandonada, as instalações ainda possuem equipamentos de alto valor e suprimentos, como evidenciado em imagens obtidas pelo portal Mais Goiás, que mostram prateleiras repletas de materiais datados para 2024 e um aparelho de raio-X, tudo em meio a um ambiente deteriorado.
O local, segundo informações, foi desocupado devido a uma ordem judicial. No ofício enviado ao prefeito, o tenente-coronel Johnathan Tarley expressou sua preocupação com o estado de abandono da escola. Ele destacou que a vulnerabilidade do espaço favorece a entrada de terceiros e já há relatos de furtos de equipamentos. “A presença de dispositivos médicos de valor elevado, como a máquina de raio-X, torna este cenário ainda mais alarmante, considerando o histórico do acidente com o Césio-137”, afirmou o oficial no documento.
O acidente de Césio-137, acontecido em 13 de setembro de 1987 em Goiânia, permanece como o maior desastre radiológico já registrado fora de uma usina nuclear. O incidente teve início quando dois catadores de recicláveis descobriram um aparelho de radioterapia abandonado e, ao desmontá-lo, liberaram uma cápsula de Césio-137, que se espalhou rapidamente, contaminando várias pessoas e causando morte e sequelas permanentes.
O trágico acidente resultou em quatro mortes confirmadas e deixou 249 pessoas com contaminação significativa, que receberam acompanhamento médico. Ao todo, mais de 110 mil indivíduos foram monitorados, e centenas de locais foram desinfectados ou removidos devido à contaminação.
As autoridades locais agora enfrentam o desafio de mitigar os riscos associados ao local abandonado, evitando assim que novas tragédias se repitam.




