A ex-deputada federal brasileira Carla Zambelli deu início a uma complexa manobra jurídica em múltiplas frentes globais na tentativa de reverter suas decisões condenatórias no Supremo Tribunal Federal (STF) e neutralizar o pedido de extradição formulado pelas autoridades brasileiras. A nova ofensiva, coordenada entre advogados no Brasil e na Itália, pretende escalar a disputa para organismos internacionais de direitos humanos.

Liderada pelo advogado brasileiro Eduardo Maurício em cooperação com o jurista italiano Pieremilio Sammarco, a estratégia defensiva argumenta a existência de supostos vícios processuais, alegações de perseguição política e violação do devido processo legal. A bancada jurídica sustenta que a transferência da ex-parlamentar para o sistema prisional brasileiro representaria um risco extremo à sua integridade física, classificando a eventual medida como desproporcional e abusiva.

Ações internacionais e questionamentos ao STF

Para fundamentar o bloqueio da extradição e tentar anular as sentenças impostas, os defensores anunciaram o envio de petições ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O argumento central repousa na tese de falta de imparcialidade dos julgadores, direcionando críticas diretas aos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, figuras centrais nas deliberações do STF que resultaram nas punições à ex-deputada.

O histórico penal e as penas aplicadas

O passivo judicial de Zambelli na Suprema Corte brasileira é composto por duas condenações de peso decorrentes de episódios distintos:

  • Invasão aos sistemas do Poder Judiciário: A Primeira Turma do STF condenou Zambelli a 10 anos de reclusão em regime fechado, além da perda do mandato parlamentar e aplicação de pesadas multas. A decisão, tomada por unanimidade, responsabilizou a ex-deputada e o hacker Walter Delgatti Neto pela manipulação ilícita do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) entre 2022 e 2023 — ação que incluiu a emissão de uma falsa ordem de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Delgatti recebeu pena de 8 anos e 3 meses de prisão. Ambos foram sentenciados ao pagamento conjunto de R$ 2 milhões por danos morais e materiais coletivos.
  • Episódio com arma de fogo: Em um processo derivado de um confronto de rua em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022, a ex-parlamentar recebeu uma sentença de 5 anos e 3 meses de prisão por ter perseguido o jornalista Luan Araújo ostentando um armamento em via pública.

Detentora de cidadania italiana, Carla Zambelli reside atualmente em território europeu. A soberania e a legislação da Itália em relação a seus cidadãos impõem barreiras burocráticas e jurídicas adicionais ao pedido de extradição, transformando o caso em um sensível imbróglio diplomático e judicial entre Brasília e Roma.