Belo Horizonte - A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgou um comunicado informando que, até o momento, não encontrou evidências que conectem seus peritos ou qualquer outro funcionário a um suposto suborno envolvendo uma advogada. A acusação gira em torno da profissional Daniela Gomes Ibrahim, que teria solicitado R$ 4 mil à família de um cliente preso por tráfico de drogas, alegando que o montante seria utilizado para corromper um perito e eliminar provas digitais de um celular apreendido.
Conforme os detalhes da investigação, iniciada após denúncias recebidas, a advogada estava defendendo um homem que foi detido por envolvimento com drogas. A família do detido teria sido abordada por Daniela, que alega que o dinheiro solicitado seria crucial para manipular a prova pericial. O caso ocorreu na cidade de Ponte Nova, localizada na Zona da Mata mineira.
Em uma nota divulgada na última terça-feira (1º de setembro), a PCMG esclareceu que as diligências realizadas até o momento demonstraram a ausência de qualquer contato ou negociação com os peritos. “O que foi apurado é que a referência ao agente público foi utilizada como uma tática para persuadir os familiares do investigado a entregar o dinheiro, com a promessa de que isso poderia influenciar na produção da prova pericial”, declarou a corporação.
Os investigadores deram seguimento às apurações e conseguiram um mandado de busca e apreensão, durante o qual o celular da advogada foi apreendido e passou por perícia. Além disso, as conversas no aparelho da mãe do cliente detido também foram analisadas. O material coletado foi enviado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que decidiu formalizar a denúncia à Justiça. A acusação foi aceita, e a advogada agora é ré no processo.
O Judiciário impôs medidas cautelares que afetam o exercício da profissão de Daniela, restringindo seu acesso a locais relacionados à investigação e ao processo criminal. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma conversa telefônica onde a advogada é mencionada. Na gravação, uma mulher expressa preocupação sobre a eficiência do procedimento proposto e compartilha informações sobre a quantia já reunida.
Na conversa, a advogada sugere que a identidade do perito não é relevante, afirmando que ele simplesmente acessaria os dados no sistema. A interlocutora menciona que está tentando arrecadar o restante do dinheiro. A defesa de Daniela, representada pelos advogados Moacyr Fialho Aguiar e Roberto Magalhães Júnior, emitiu um comunicado afirmando que está acompanhando os desdobramentos do caso com respeito às autoridades, e reitera a confiança no devido processo legal.
“A defesa enfatiza que qualquer manifestação sobre os fatos antes da defesa formal seria precipitada e contrária às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa”, afirmam os advogados. Eles também destacam a trajetória profissional da advogada, que conta com 20 anos de experiência e é reconhecida na comunidade jurídica por sua conduta irrepreensível.
A Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) foi contatada pela reportagem, que aguarda um posicionamento oficial sobre o caso.




