O Ministério Público de São Paulo decidiu investigar uma possível cobrança indevida por parte da Caixa Econômica Federal relacionada à dívida do Corinthians pela construção da Neo Química Arena. O procedimento foi instaurado na terça-feira, 1º de setembro de 2026, e levanta questões sobre a precisão dos cálculos da dívida, estimada em R$ 640 milhões.
De acordo com a denúncia, há uma divergência que pode alcançar o montante de R$ 255,75 milhões, levando o promotor de Justiça Cássio Conserino, já envolvido em outros casos ligados ao clube, a solicitar uma perícia detalhada. Este procedimento, por enquanto, é de natureza administrativa e não tem caráter criminal.
Conserino ressaltou que, se a discrepância for confirmada, isso poderá configurar uma gestão temerária por parte dos responsáveis que aprovaram os pagamentos. Em uma entrevista à Record, o promotor aventou a possibilidade de que o financiamento já tenha sido quitado integralmente.
A situação atual, segundo a Caixa e o Corinthians, gira em torno de uma dívida remanescente de aproximadamente R$ 640 milhões. Contudo, a representação apresentada ao MP cita o artigo 940 do Código Civil, o qual determina que quem efetua uma cobrança superior à devida deve ressarcir o dobro do que foi cobrado em excesso. Assim, caso a cobrança indevida de R$ 255 milhões seja confirmada, a Caixa poderia ser obrigada a reembolsar o Corinthians em R$ 510 milhões.
Para que isso ocorra, será necessário um processo judicial que valide os cálculos em questão. O documento que embasa a investigação foi elaborado com base em dados públicos analisados por Anísio Costa Castelo Branco, que se apresenta como perito criminal. A contestação argumenta que, ao ajuizar a dívida em agosto de 2019, a Caixa estipulou um valor de R$ 536,09 milhões, fundamentando-se em um saldo principal de R$ 423,94 milhões.
Um dos principais pontos da disputa é a falta de transparência nos autos, onde não constam planilhas e cálculos que permitiriam verificar como o financiamento original de R$ 400 milhões se transformou no atual saldo. A denúncia aponta que a Caixa teria aplicado uma multa contratual de 10% sobre o total do saldo devedor, embora na análise proposta essa penalidade devesse ser calculada apenas sobre as parcelas já vencidas.
Os autores da representação também afirmam que, por meio de uma reinterpretação matemática dos dados, existem inconsistências nos registros internos da Caixa. Eles sustentam que o valor devedor em agosto de 2019 deveria ter sido de R$ 280,34 milhões, em contraste com os R$ 536,09 milhões cobrados pela instituição financeira.
O Poder360 buscou respostas tanto da Caixa Econômica Federal quanto do Corinthians sobre o processo instaurado pelo Ministério Público e as eventuais discrepâncias nos cálculos da dívida. Até o fechamento desta reportagem, nenhuma das partes havia se manifestado. O texto será atualizado assim que uma resposta for recebida.




