O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apresentou uma denúncia contra a advogada Gessyka Dominique Messias Araújo de Pietro, de 32 anos, por supostas fraudes que configuram uma verdadeira "Justiça fantasma". A profissional, que já acumula uma condenação por golpe, é acusada de estelionato e ameaça, principalmente em relação a uma cliente que teria sido repetidamente enganada.
A denúncia aponta que Gessyka criou um esquema em que se apropriou de honorários pagos por seus clientes, desaparecendo após recebê-los e, em alguns casos, falsificando documentos que davam a impressão de que processos judiciais estavam em andamento. Um caso emblemático envolve uma cliente que contratou seus serviços para transferir a propriedade de veículos de um falecido pai, pagando R$ 800. No entanto, a advogada não tomou nenhuma ação legal e, para encobrir sua fraude, inventou decisões judiciais e um número de processo que nunca existiu.
A situação se agrava quando a mesma cliente voltou a contratar Gessyka para resolver problemas de cupins e vícios construtivos em sua casa. A advogada cobrou taxas e custas judiciais, mas forneceu informações sobre processos que eram falsos ou já haviam sido cancelados. Na tentativa de extorquir a família, Gessyka alegou que o pai da cliente possuía investimentos no Banco do Brasil e exigiu dinheiro para facilitar o acesso a esses valores, criando uma ação que foi rapidamente cancelada.
Após a cliente descobrir as fraudes e ameaçar denunciá-la, Gessyka começou a enviar mensagens intimidadoras, incluindo ameaças físicas. A advogada Emanuela de Araújo Pereira, que representa a vítima, ressaltou que o comportamento da denunciada visa enganar clientes desavisados, muitas vezes idosos, que não têm pleno conhecimento sobre questões jurídicas.
Além da cliente principal, outras vítimas também se apresentaram à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) com acusações de estelionato. Uma delas, por exemplo, relatou que Gessyka não repassou mais de R$ 20 mil referentes a uma indenização trabalhista, utilizando uma procuração falsificada para obter os valores. Em outro caso, uma mulher foi enganada ao pagar honorários por uma ação que nunca foi protocolada, resultando em condenação judicial anterior de Gessyka.
Em resposta às acusações, a advogada se defendeu, alegando que não houve falsificação de documentos e que todos os pagamentos feitos pelos clientes eram referentes a taxas processuais. A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF) informou que não se manifesta sobre processos disciplinares em andamento, respeitando o sigilo até a finalização das investigações.




