Em meio ao acirramento da disputa política, o advogado-geral da União, Jorge Messias, manifestou publicamente seu apoio à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O posicionamento ocorreu em resposta às declarações do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que atribuiu à instituição católica envolvimento na disseminação de desinformação durante a campanha.

Em mensagem veiculada nas redes sociais, o ministro da AGU classificou as investidas do parlamentar como agressões desprovidas de fundamento. Messias repudiou a utilização de narrativas falsas como estratégia de conveniência eleitoral e destacou que acusações infundadas ferem o respeito necessário ao debate público e institucional.

A origem do embate no cenário eleitoral

O foco da controvérsia teve início durante um ato político liderado por Flávio Bolsonaro em Goiânia (GO). Na ocasião, o postulante ao Palácio do Planalto acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) e supostos integrantes da CNBB de articularem um boato inverídico. A informação falsa sugeria que o candidato pretendia revogar o título de padroeira do país concedido a Nossa Senhora Aparecida.

Ao dirigir-se aos seus apoiadores, o senador alegou que a história ganhou tração com o suporte de setores internos do organismo episcopal, sustentando, contudo, que a versão desfeita rapidamente pelo predomínio dos fatos reais.

Reação da CNBB e neutralidade institucional

Diante das alegações, a cúpula da CNBB divulgou uma nota oficial para esclarecer sua conduta. A instituição negou categoricamente qualquer participação na criação, autorização ou propagação de conteúdos enganosos vinculados ao processo eleitoral. Além disso, reiterou seu caráter estritamente pastoral, desvinculado de partidos, candidaturas ou estruturas político-partidárias.

A conferência ressaltou que imputar responsabilidades à entidade sem a apresentação de provas concretas atinge injustamente a sua credibilidade e a sua história junto à sociedade brasileira.

Defesa do Estado laico e pluralismo religioso

A manifestação de Jorge Messias chamou atenção também pelo aspecto ecumênico. Sendo evangélico, o titular da AGU fundamentou sua solidariedade no princípio constitucional do Estado laico, que garante a liberdade de crença e exige o respeito mútuo entre diferentes manifestações de fé.

Ao citar trechos bíblicos sobre a fraternidade e a convivência harmoniosa, o ministro destacou os seguintes pontos em sua reflexão:

  • Respeito à diversidade de credos: A defesa de que a fé genuína se expressa pelo exemplo e pelo amor ao próximo, jamais pela imposição.
  • Garantia das liberdades individuais: O papel do Estado em assegurar o livre exercício religioso sem intervir nas convicções dos cidadãos.
  • Reconhecimento histórico: A valorização da trajetória da CNBB na promoção da democracia e no apoio pastoral à comunidade católica.

O episódio evidencia como os temas relacionados à religião e à desinformação continuam a ocupar papel central na dinâmica e no tom dos discursos das campanhas eleitorais do país.