No último sábado (22/8), o presidente da Argentina, Javier Milei, manifestou-se pela primeira vez sobre a prisão de seu ex-assessor, Fernando Cerimedo, detido na Bolívia sob a acusação de mandar matar sua companheira, Nadia Beller. Em entrevista à rádio Mitre, Milei buscou desvincular-se publicamente de Cerimedo, um marqueteiro que teve papel importante em sua campanha eleitoral vitoriosa em 2023.
Durante a entrevista, Milei afirmou: "Na política, muitas pessoas vão e vêm. Cerimedo não é parte do nosso grupo e se desvinculou de nós em 2023". Essa declaração indica uma tentativa clara de afastar-se de qualquer implicação negativa relacionada ao seu ex-assessor.
No entanto, o presidente argentino não hesitou em insinuar que a prisão de Cerimedo poderia estar ligada a uma suposta "quadrilha" composta por figuras como a deputada Marcela Pagano, Evo Morales e, surpreendentemente, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. "Tudo faz parte da mesma rede", sugeriu Milei, sem apresentar qualquer evidência concreta que sustentasse suas alegações.
Além de se distanciar de Cerimedo, Milei também abordou a polêmica envolvendo a venda de carne de burro na Argentina. Ele atribuiu a divulgação dessa notícia a um "estudante de publicidade" associado à equipe de Lula. "É uma mentira que na Argentina se consome carne de burro; isso foi proposto por um estudante brasileiro que faz parte da equipe do Lula", declarou, novamente sem apresentar provas.
A prisão de Fernando Cerimedo ocorreu na última terça-feira (19/8), quando ele foi detido no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele é acusado de ter planejado a tentativa de homicídio contra Nadia Beller, que foi baleada três vezes por dois homens armados em um hotel. A vítima sobreviveu ao ataque fingindo-se de morta.
A justiça boliviana já decretou a prisão preventiva de Cerimedo por 180 dias, enquanto as investigações prosseguem. A procuradoria local alega que ele tentou fugir após coordenar o crime remotamente via celular.
No contexto brasileiro, Cerimedo ganhou notoriedade em meio às eleições de 2022, ao fazer uma transmissão ao vivo onde divulgou informações não verificadas sobre o processo eleitoral do Brasil e alegou ter provas de fraude. Essas alegações foram amplamente repercutidas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em decorrência disso, ele foi investigado pela Polícia Federal, embora a Procuradoria-Geral da República não tenha conseguido estabelecer se ele estava envolvido em um plano mais amplo de golpe de Estado.
Cerimedo também voltou a criticar as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro em julho deste ano, durante uma live com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Além disso, ele foi premiado como "melhor consultor político do ano" em um evento conservador na Flórida, onde a presença de Eduardo Bolsonaro também foi marcada.




