Meta de 1,5°C em Risco, diz relatório da ONU

Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado em 2 de setembro de 2026, revela que a ambiciosa meta de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, estabelecida no Acordo de Paris em 2015, está fora de alcance no curto prazo. Intitulado "Limitação da ultrapassagem: navegando pela superação de 1,5°C e pelos caminhos de retorno", o documento de 139 páginas destaca a necessidade urgente de ação global para enfrentar essa crise climática.

O relatório indica que, embora o objetivo de limitar o aumento da temperatura possa ser alcançado, isso exigirá uma mobilização imediata por parte dos países, visando uma trajetória de "ultrapassagem, pico e declínio". De acordo com a análise, os impactos associados a um aquecimento superior a 1,5°C podem ser devastadores e irreversíveis, caso não sejam adotadas medidas eficazes de mitigação.

Consequências da Inação

Os autores do relatório enfatizam que a superação temporária da meta de 1,5°C não deve ser encarada como um motivo para a complacência. A ONU alerta que cada ano de inação e cada fração de grau acima desse limite aumentam os riscos climáticos e dificultam a recuperação ambiental. Isso resulta em perdas que podem ser irreversíveis, mesmo que as temperaturas sejam posteriormente reduzidas.

O cenário mais otimista delineado no relatório sugere que, caso todas as promessas climáticas em vigor sejam cumpridas, a temperatura global poderá atingir um pico de 1,8°C em comparação aos níveis pré-industriais. Contudo, a projeção mais realista indica que, sob as políticas atuais, o aquecimento global pode alcançar cerca de 2,6°C até o final do século.

Ações Necessárias para Mitigação

Em resposta a esses desafios, a ONU propõe um novo plano climático que prioriza um corte significativo nas emissões de dióxido de carbono, metano e outros gases de efeito estufa. O relatório sugere que a remoção do dióxido de carbono deve ser utilizada como um complemento às estratégias de descarbonização direta, e não como um substituto.

As decisões tomadas atualmente são consideradas cruciais. Quanto menor for o pico de aquecimento, menores serão os riscos enfrentados pelas populações e pelos ecossistemas. A ONU conclui que a mitigação e a adaptação devem progredir em conjunto, alertando que a ultrapassagem das metas climáticas não é um chamado à resignação, mas sim um apelo urgente à ação.