Candidaturas Femininas no DF Sofrem Queda Significativa
O Distrito Federal registrou 231 candidaturas femininas para as eleições de 2026, conforme dados atualizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Este número representa 35,3% do total de 655 candidaturas, enquanto as candidaturas masculinas somam 424, ou seja, 64,7% do total. A redução em relação às eleições de 2022 é alarmante: houve uma diminuição de 85 candidaturas femininas, equivalente a 26,9%.
Contexto Atual e Perfil dos Candidatos
Embora o percentual de candidaturas femininas tenha se mantido estável em comparação ao ano anterior (35,4%), a queda em números absolutos é um reflexo de desafios contínuos enfrentados por mulheres na política. Das 231 candidaturas femininas, 151 são para deputada distrital, 64 para deputada federal, quatro para o Senado, três para governadora, quatro para vice-governadora e cinco para suplência.
No cenário da disputa pelo Palácio do Buriti, as candidatas incluem Celina Leão (PP), Paula Belmonte (PSDB) e Professora Samara Mineiro (UP). Para o Senado, as candidatas são Michelle Bolsonaro (PL), Erika Kokay (PT), Leila Barros (PDT) e Bia Kicis (PL), que busca a reeleição.
Desigualdade Persistente e Desafios Estruturais
A discrepância entre homens e mulheres nas candidaturas é ainda mais notável quando se observa o perfil do eleitorado no Distrito Federal, onde há 1.219.697 mulheres, representando 54,13% do total de 2,25 milhões de eleitores. De acordo com a advogada e conselheira da OAB-MG, Isabela Damasceno, essa situação é fruto de múltiplos fatores estruturais, como a falta de acesso a financiamento, redes partidárias dominadas por homens e o acúmulo de responsabilidades domésticas que sobrecarregam as candidatas.
Representação de Mulheres Negras nas Candidaturas
Adicionalmente, 49,4% das candidatas femininas no DF são mulheres negras, com 77 se autodeclarando pardas e 37 pretas. Embora esse número represente quase a metade do total de candidaturas femininas, também houve queda em relação a 2022, quando 155 mulheres negras se candidataram. Isabela destaca que a crescente consciência sobre identidade étnico-racial e a mobilização de coletivos têm contribuído para essa representação, mas os desafios permanecem, especialmente com a interseccionalidade entre gênero e raça.
Legislação e Ineficiência das Cotas
A participação das mulheres na política é regulamentada pela Lei nº 12.034 de 2009, que exige que os partidos reservem entre 30% e 70% de suas candidaturas para cada sexo. Apesar disso, as cotas não têm sido suficientes para garantir uma representação efetiva. A advogada Isabela aponta que, embora as cotas tenham aumentado a presença feminina nas candidaturas, elas falham em assegurar uma representação proporcional nas esferas de poder.
As cotas foram eficazes apenas como uma inclusão formal, mas não traduzem em maior número de eleitas. A Resolução TSE nº 23.752/2026 busca endereçar essa questão, estabelecendo percentuais de financiamento para candidaturas de mulheres e pessoas negras e indígenas, mas desafios como fraude à cota e desigualdade de recursos ainda persistem.
Conclusão: A Necessidade de Mudanças Estruturais
Em suma, a situação atual das candidaturas femininas no Distrito Federal é um chamado à ação. É crucial que mudanças na cultura partidária, no sistema de recrutamento e no combate à violência política de gênero sejam implementadas. A luta por uma representação equitativa é um desafio contínuo que demanda atenção e compromisso de todos os envolvidos no processo político.




