O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu expandir o escopo de um inquérito da Polícia Federal (PF) que já apura vazamentos de informações sigilosas sobre a Operação Sem Desconto, agora incluindo dados relacionados a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

A investigação, que foi instaurada inicialmente em janeiro e formalizada pela PF em fevereiro, focava especificamente em informações sigilosas vinculadas a fraudes no INSS. No entanto, a defesa de Lulinha recentemente alegou que novos vazamentos sobre seu cliente ocorreram, levando Mendonça a incluir essas denúncias na apuração vigente.

Esta nova fase da investigação não consiste em um inquérito separado, mas sim em uma ampliação do que já estava sendo analisado. A PF agora terá a tarefa de identificar quem teve acesso ao material confidencial e como essas informações chegaram à mídia.

Mendonça enfatizou a importância de proteger a identidade dos jornalistas que reportaram sobre o caso, assegurando que eles não serão alvo de investigações. O ministro reiterou que a apuração se concentrará em identificar os responsáveis pela divulgação indevida de informações, e não aqueles que exerceram o jornalismo legítimo.

O ministro observou que há uma conexão clara entre as informações divulgadas e o inquérito iniciado pela PF, que busca elucidar os vazamentos relacionados à Operação Sem Desconto. Este esquema investiga fraudes que afetam o INSS e exige uma análise cuidadosa sobre o manuseio de dados sigilosos.

Relatórios mencionados na decisão de Mendonça também revelam que Lulinha estava em contato com a lobista Roberta Luchsinger, discutindo questões comerciais e estratégias que chamaram a atenção dos investigadores. Uma das reportagens destaca uma orientação de Lulinha à lobista para que cobrasse um empresário que está sob investigação.

Com o avanço do inquérito, a PF deverá intensificar seus esforços para entender como as informações sigilosas sobre Lulinha foram expostas, contribuindo para um cenário de maior transparência e responsabilidade acerca da manipulação de dados sensíveis.

Essa decisão do STF se dá em meio a um contexto mais amplo de investigações que envolvem o governo, onde outros inquéritos estão em andamento, abordando suspeitas de corrupção e tráfico de influência em diversas áreas, incluindo negociações sobre a autorização para comercialização de cannabis medicinal.