Operação Narciso: Um Megaempresário em Fuga
Um dos principais alvos da operação Narciso, realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), está oficialmente foragido. Jorge Luiz Roa, conhecido empresário paraguaio e proprietário da loja de produtos farmacêuticos Jack Center, escapou das autoridades na região da tríplice fronteira.
Roa, que costumava exibir uma vida de luxo em suas redes sociais, revelando frequentar festas e viajar para destinos exóticos com seus familiares, também é acusado de liderar uma rede de tráfico internacional de substâncias proibidas. A fachada de sucesso empresarial esconde um envolvimento profundo em atividades ilícitas, segundo as investigações.
Relações Criminosas
De acordo com os dados coletados pela polícia, Jorge é sócio de Elisangela Pereira Acosta, identificada como a principal fornecedora de insumos e medicamentos para a produção de anabolizantes em laboratórios clandestinos pelo Brasil. Elisangela, que reside em uma mansão em Foz do Iguaçu e é co-proprietária de uma loja de anabolizantes no Paraguai, e Jorge operavam um sofisticado esquema criminoso.
Ambos utilizavam métodos engenhosos para ocultar os produtos ilegais, disfarçando substâncias em peças mecânicas de motocicletas a fim de evitar a fiscalização. Após chegarem em Foz do Iguaçu, os produtos eram embalados e distribuídos para diversos estados brasileiros através de e-commerce e transportadores clandestinos, conhecidos como “freteiros”.
Operação de Grande Escala
A Operação Narciso, desencadeada na madrugada do dia 12 de agosto, representa uma das maiores ações do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e substâncias controladas. Os investigadores identificaram uma rede criminosa complexa dedicada à fabricação, fornecimento e comercialização de substâncias perigosas em várias localidades do Brasil.
As investigações revelaram a atuação de membros do esquema em oito estados, além do Distrito Federal, incluindo Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais. A Justiça expediu 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, bloqueando R$ 32 milhões em ativos financeiros e determinando a quebra de sigilo bancário de 58 indivíduos.
Consequências Fatais
O delegado Rodrigo Carbone, responsável pela investigação, destacou o risco associado ao que chamam de “cozimento” — a produção caseira de substâncias em condições insalubres e sem controle sanitário. A combinação de matérias-primas de origens duvidosas, como óleos de cozinha comuns, com substâncias ilegais resultou em graves reações adversas nos usuários. Isso levou a casos extremos, incluindo a morte de uma fisiculturista em Samambaia.
Os produtos resultantes apresentam riscos significativos, como infecções, embolias e problemas cardiovasculares, que podem levar a AVCs e impotência sexual. Enquanto Jorge Luiz Roa permanece em fuga, Elisangela e outros integrantes da rede já foram capturados pelas autoridades.




