Incêndio em Terra Ronca avança sem controle
O Parque Estadual Terra Ronca, localizado no Nordeste de Goiás, enfrenta um incêndio devastador que já dura nove dias. Com uma área queimada que ultrapassa 13 mil hectares, essa ocorrência é classificada como a maior queimada florestal em atividade no Brasil, segundo informações do Corpo de Bombeiros.
Historicamente, o parque não era afetado por incêndios de grande proporção desde 2021, e este evento se inicia antes do período crítico de queimadas, que normalmente ocorre entre setembro e outubro. O major Paulinelli Damasceno, do Corpo de Bombeiros, indicou que a principal causa dos focos de incêndio é a ação humana.
Causas e consequências do incêndio
A situação em Terra Ronca levantou preocupações quanto ao comportamento humano e suas consequências para o meio ambiente. “A ação humana é um fator determinante para o início de incêndios. Este ano, observamos uma antecipação no período crítico de incêndios”, afirmou o major Paulinelli. Ele destacou que a combinação de ventos fortes e a atual seca acentuou a gravidade da situação.
Em comparação com anos anteriores, o Corpo de Bombeiros registrou um aumento significativo no número de ocorrências de incêndios em Goiás, com 4,2 mil chamados atendidos apenas entre janeiro e julho deste ano, o que equivale a uma média de um incidente a cada hora. Desses, 90,4% foram relacionados a queimadas urbanas, enquanto apenas 9,6% corresponderam a queimadas em áreas vegetais.
Desafios no combate às chamas
Os bombeiros enfrentam enormes dificuldades para controlar o incêndio, com as altas temperaturas e os ventos fortes dificultando as operações. “A principal barreira é o calor intenso. Em ações de combate, é necessário se aproximar das chamas, o que representa um grande desafio”, explicou o major. O tipo de vegetação da área e a presença de solo arenoso também complicam os esforços das equipes de combate.
Além disso, Goiás enfrenta um clima severo em 2026, marcado por longos períodos de estiagem, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, condições que favorecem a propagação rápida do fogo. “A combinação desses fatores torna o combate a incêndios ainda mais desafiador”, complementou Paulinelli.
Decreto proíbe uso do fogo
Visando minimizar o risco de incêndios, um decreto estadual, em vigor desde 24 de julho, proíbe o uso do fogo em vegetação até o final do ano. Essa medida busca prevenir novas ocorrências de queimadas, especialmente em áreas rurais e secas. O descumprimento da norma pode resultar em penalidades que vão de dois a quatro anos de prisão e multas.
“Recomendamos à população que evitem o uso do fogo para práticas como a limpeza de lotes e pastos. É essencial que, ao avistarem qualquer sinal de incêndio, acionem os bombeiros pelo número 193”, finalizou o major Paulinelli.




