No início de sua campanha presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva demonstra uma clara vantagem sobre seus adversários, independentemente do empate técnico enfrentado no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, conforme a mais recente pesquisa do Instituto Quaest.

No primeiro turno, Lula lidera com uma diferença de sete pontos em relação a Flávio Bolsonaro (PL), 34 pontos à frente de Ronaldo Caiado (PSD), além de superar Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) por 34 e 36 pontos, respectivamente. Os demais candidatos ao cargo de presidente não obtiveram expressividade nas pesquisas.

No domingo, 16, Lula deu início à sua campanha oficial com um comício no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Esse local é emblemático, visto que foi onde Lula se consagrou como líder sindical. Em comparação, Flávio Bolsonaro realizou um evento na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, que não alcançou a mesma magnitude.

Durante seu discurso, Lula recorreu a conquistas passadas de seus governos e do Partido dos Trabalhadores (PT), enfatizando um dos seus principais legados: a inclusão dos menos favorecidos na agenda nacional. Em um cenário onde muitos candidatos tentam conquistar o voto popular, Lula destaca que ignorar a população em situação de vulnerabilidade é uma estratégia arriscada.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, não apresenta feitos significativos a serem lembrados, nem por parte de sua trajetória pessoal ou familiar. Ele poderia mencionar episódios controversos, como a “rachadinha”, a condecoração de milicianos e a postura de seu pai durante a pandemia de Covid-19.

A emoção é um componente central nas eleições, e tanto Lula quanto Flávio têm usado essa estratégia em seus discursos e eventos. No entanto, a atmosfera vibrante no estádio em São Bernardo foi mais palpável do que na praia carioca. Flávio, em seu discurso, criticou o governo atual, dizendo: “O atual governo briga com países a 10 mil quilômetros, mas não enfrenta o ladrão vizinho, traficante, estuprador e assassino”.

Respondendo a essas provocações, Lula questionou: “Que futuro queremos para o povo brasileiro se zombam daqueles que morrem por falta de ar e não investem em educação, saúde, moradia e emprego?”.

A esquerda, em sua variedade de matizes, se reúne em torno de Lula, que conta com o apoio de sete partidos. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro tem apenas o PL ao seu lado, enquanto a direita se fragmentou, e muitos partidos do Centrão se declararam neutros. No Sudeste, parte deles pode apoiar Flávio, enquanto no Nordeste a preferência parece pender para Lula.

Historicamente, chapas compostas apenas por integrantes de um mesmo partido, como a de Flávio com Antônio Gaspar como vice, conseguiram sucesso nas eleições presidenciais apenas uma vez, em 1989, com Fernando Collor e Itamar Franco. Contudo, naquela ocasião, o pleito era isolado, o que torna a situação atual bastante distinta.

À medida que a corrida presidencial avança, a pergunta que permanece é se estaremos rumando para um tetracampeonato ou se o bi será a nova realidade. O cenário está aberto e as apostas estão lançadas.