Belo Horizonte – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compartilhou detalhes sobre sua conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um comício realizado na última sexta-feira (21/8) em Belo Horizonte. O encontro, que durou aproximadamente uma hora e meia, teve como foco a defesa da soberania brasileira e as relações comerciais entre os dois países.

Lula enfatizou que desafiou as justificativas apresentadas por Trump para a imposição de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros. Ele deixou claro que o Brasil está aberto à cooperação no combate ao crime organizado, mas reafirmou a necessidade de não aceitar interferências externas nos assuntos internos. "Eu disse: Trump, se você quer combater o crime organizado, estamos juntos. A Polícia Federal do Brasil quer fazer isso. Mas não queremos intervenções em nosso país", ressaltou o presidente.

Segundo informações do Planalto, o diálogo ocorreu em um clima cordial e abrangeu diversos tópicos, incluindo o tarifário e a situação do crime organizado. Lula mencionou que Trump reconheceu alguns dos argumentos apresentados pelo Brasil. "O tarifaço foi baseado em informações falsas. Você disse que havia desmatamento no Brasil, mas temos o menor índice da história. E sobre trabalho escravo, estamos combatendo isso", declarou Lula.

O presidente também mencionou que Trump se comprometeu a entrar em contato com seu secretário de comércio para agendar uma reunião com as autoridades brasileiras sobre comércio. Essa interação é vista como um passo positivo nas relações entre os dois países, especialmente após tensões recentes.

Além disso, Lula fez uma sugestão inusitada a Trump, pedindo que ele convidasse líderes como Vladimir Putin, da Rússia, e Xi Jinping, da China, para um encontro em seu clube de golfe. "Eu disse a ele que o mundo precisa de paz, não de guerras. É um momento para amor, não ódio", comentou.

Concluindo seu discurso, Lula reafirmou a importância da soberania nacional, dizendo que, se não houver respeito por si mesmo, não se pode esperar que outros o respeitem. Ele finalizou sua fala na Praça da Estação enfatizando a necessidade de diálogo e respeito na arena internacional.