A Serra do Rola-Moça, localizada em Minas Gerais, é um dos cartões-postais mais admirados do estado. O parque que abriga essa serra se estende por quatro municípios: Belo Horizonte, Brumadinho, Nova Lima e Ibirité. Com uma área de aproximadamente 4.006 hectares, este é o terceiro maior parque urbano do Brasil, atraindo diariamente um grande número de visitantes que exploram suas trilhas e desfrutam de suas paisagens deslumbrantes.

Entretanto, a beleza do local vem acompanhada de uma história marcada por tragédias. Nos últimos meses, a serra esteve nos holofotes após a morte de uma mulher que sofreu um acidente ao cair em uma ribanceira, e outro caso chocante onde uma mulher sobreviveu após ser empurrada de um penhasco por seu ex-companheiro. Tais incidentes reabrem questionamentos sobre a segurança da região e a preservação do parque.

O nome da Serra do Rola-Moça tem origem em uma lenda que é contada há gerações. A história narra que um casal de recém-casados, enquanto atravessava a serra a cavalo, enfrentou um trágico destino quando o animal da jovem escorregou em um trecho acidentado. Em uma tentativa de resgatá-la, o marido também caiu, resultando na morte de ambos. É essa narrativa que, segundo muitos, deu origem ao nome peculiar da serra.

O poeta modernista Mário de Andrade eternizou essa lenda em seus versos, no poema “Noturno de Belo Horizonte”, que faz parte do livro “Clã do Jabuti”, lançado em 1927. O poema, que expressa a alegria do casal antes da tragédia, destaca a beleza e a tranquilidade do cenário, contrastando com o trágico desfecho da história. Andrade, em sua busca por uma arte genuinamente brasileira, trouxe à tona não apenas a lenda, mas também um rico panorama da cultura mineira.

Historicamente, a Serra do Rola-Moça foi oficialmente reconhecida como parque em 27 de setembro de 1994, através do Decreto Estadual nº 36.071. Desde então, tem sido um importante refúgio para diversas espécies da fauna brasileira, incluindo o lobo-guará e a onça-parda.

A preservação da serra é uma preocupação crescente. Recentemente, a possibilidade de retomada das atividades de mineração na região levantou um intenso debate entre moradores, ambientalistas e autoridades. Segundo Clara Paiva, integrante do Movimento Águas e Serras de Casa Branca (MASCB), o parque foi criado para proteger os mananciais que abastecem a Grande Belo Horizonte. A questão atual gira em torno da Mina Casa Branca, cuja empresa busca retomar operações de descaracterização de barragens e venda de minério. Isso levanta preocupações sobre os riscos de rompimento e os impactos ambientais.

Com o aumento da pressão por desenvolvimento econômico, a pergunta que persiste é: até quando a Serra do Rola-Moça conseguirá manter sua identidade e beleza? O futuro da serra e do parque depende não apenas da proteção legal, mas também da conscientização e do engajamento da população em defesa do meio ambiente.