O Tribunal do Júri de Ceilândia está prestes a iniciar o julgamento do soldado da Polícia Militar Ismael Coutinho da Mota, marcado para esta quinta-feira, 27 de agosto, às 9h30. O caso refere-se ao assassinato do bombeiro Walter Leite da Cruz, ocorrido em 10 de novembro de 2022.

Segundo os registros do caso, o trágico incidente aconteceu durante uma perseguição policial a um suspeito envolvido em agressão. Enquanto os policiais tentavam capturá-lo, o suspeito invadiu a casa de Walter, onde acabou se escondendo. Os PMs, ao chegarem ao local, dispararam e Walter foi atingido, levando-o a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Ceilândia, mas não sobreviveu aos ferimentos.

Ismael Coutinho admitiu ser o responsável pelo disparo, alegando que confundiu Walter com o agressor, dado que ambos estavam sem camisa. No entanto, a situação é cercada de controvérsias. De acordo com a investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, a camisa de Walter foi retirada com a intenção de confundir as circunstâncias do ocorrido, o que levanta dúvidas sobre a alegação de erro por parte do soldado.

Na visão dos investigadores, não há justificativa plausível para a confusão entre as duas pessoas, já que Walter tinha uma estatura significativamente maior e características físicas distintas do suspeito. A defesa de Ismael foi contatada para comentar o caso, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

Apesar de estar respondendo a um processo criminal, Ismael Coutinho continua a receber seu salário como policial militar. Entre janeiro e junho de 2023, ele recebeu um total de R$ 58.333,70 líquidos, conforme informações do Portal da Transparência do Distrito Federal. O último pagamento registrado, referente ao mês de junho, foi de R$ 8.456,85. A reportagem buscou um esclarecimento da Polícia Militar sobre a situação do soldado e sua remuneração, mas não obteve resposta até o momento.

Além das questões legais em torno do caso, a família do bombeiro também busca reparação. Em uma decisão de junho de 2025, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou o Estado a pagar uma indenização de R$ 100 mil a cada um dos filhos e à viúva de Walter, além de R$ 70 mil aos pais do militar. Os familiares alegaram que a perda repentina do bombeiro causou um sofrimento psicológico grave.

O julgamento de hoje será um marco na busca por justiça e poderá trazer respostas para todos os envolvidos na tragédia.