Fábio Luís Lula da Silva, popularmente conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visitou o Palácio do Planalto em pelo menos 18 ocasiões desde o início de 2023. Essas informações foram obtidas através da Lei de Acesso à Informação (LAI) e podem indicar um possível envolvimento em práticas de tráfico de influência.
As visitas de Lulinha, que ocorreram entre junho de 2023 e janeiro de 2025, foram registradas em 15 dias diferentes. A duração das visitas variou, totalizando 23 horas e 26 minutos, conforme dados fornecidos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. No entanto, o GSI não especificou os locais ou motivos dessas visitas.
As suspeitas em torno das visitas de Lulinha aumentam em meio a investigações da Polícia Federal que buscam esclarecer indícios de corrupção e tráfico de influência. Mensagens interceptadas durante a apuração mostram que Lulinha se reunia com figuras proeminentes do governo e, em algumas ocasiões, orientava as atividades da lobista Roberta Luchsinger, que atuava em nome de empresários em busca de contratos.
Procurado para esclarecer as visitas, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, declarou que o empresário estava no Planalto para encontros pessoais e que nunca tratou de assuntos administrativos. Ele reforçou que Lulinha mantém amizade com várias pessoas, incluindo o secretário do presidente, Marcola.
A Secretaria de Comunicação da Presidência também se manifestou, afirmando que as visitas foram de natureza estritamente privada e que não geraram desdobramentos administrativos.
Entretanto, as mensagens entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, que estão sob a análise da Polícia Federal, geram preocupação. Em uma troca de mensagens de março de 2024, Roberta menciona que eles trabalham em um “nível diferenciado”. Durante essa conversa, Lulinha revelou sua participação em reuniões com Marcola e Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, ambos com forte ligação ao governo.
Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, era visto como uma figura-chave no governo, enquanto Berger tinha um histórico de conexões poderosas que poderiam facilitar contratos. A investigação também revela que Roberta Luchsinger recebeu pagamentos substanciais do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, totalizando R$ 1,5 milhão.
As mensagens ainda mostram que Roberta discutia a compra de joias para Marcola, além de orientações que Lulinha dava a ela sobre emissão de notas fiscais relacionadas a empresários que conseguiram contratos significativos com o governo federal. Em um dos casos, ele instruiu Roberta a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas, dono de uma empresa que obteve mais de R$ 80 milhões em contratos com a atual gestão.
Esses eventos levantam questões sobre a ética e a legalidade das interações entre o filho do presidente e figuras influentes no governo, evidenciando a necessidade de uma investigação mais aprofundada para esclarecer essas relações e suas implicações.




