Desafios Financeiros da Indústria Brasileira
A presidente da Rhodia para a América Latina, Daniela Manique, expressou preocupações sobre a viabilidade financeira da indústria brasileira em relação aos custos dos programas sociais do país. Em uma declaração impactante feita durante o evento da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) em São Paulo, na terça-feira, 1º de setembro de 2026, Manique destacou que a atual situação econômica dificulta a contribuição do setor com esses programas.
Segundo Manique, os altos custos de energia e matérias-primas estão entre os principais empecilhos para a competitividade da indústria química nacional. Ela enfatizou que o setor, um dos maiores consumidores de eletricidade no Brasil, tem enfrentado um aumento constante nos encargos que visam subsidiar a população de baixa renda. “Seria excelente se a eletricidade fosse fornecida de graça, mas isso não pode ser feito às custas da indústria”, comentou.
Críticas ao Custo do Gás Natural e da Nafta
A presidente da Rhodia também criticou a forma como o Brasil utiliza seu gás natural. Ela afirmou que a falta de separação das frações mais pesadas do gás, como etano e propano, impede a transformação desses insumos em matérias-primas essenciais para a petroquímica. Manique observou que, embora a reinjeção de gás nos poços de petróleo possa aumentar a produção imediata, essa prática compromete a vida útil dos poços e priva a indústria química de recursos vitais.
“Quando a reinjeção é excessiva, sacrificamos o futuro em prol de vantagens de curto prazo”, alertou a executiva, sugerindo que essa abordagem pode prejudicar gerações futuras de indústrias petroquímicas. Com a dificuldade de acesso ao gás, a indústria se vê forçada a recorrer à nafta, que, segundo ela, tem preços monopolizados no Brasil, resultando em custos exorbitantes em comparação com o mercado internacional.
Dados Preocupantes Sobre Custos
Manique revelou que o Brasil paga até quatro vezes mais pelo gás natural em comparação a outros países e que nafta e eletricidade também têm preços duas vezes maiores. “Não estamos pedindo insumos gratuitos; estamos apenas solicitando condições de igualdade com o que o resto do mundo paga”, afirmou.
Advertências sobre a Dependência Externa
A executiva levantou preocupações sobre os riscos da desindustrialização do setor químico, especialmente no que diz respeito ao mercado de fertilizantes utilizados na soja. Ela alertou que a importação de produtos mais baratos só ocorre quando há concorrência local, e com o enfraquecimento da indústria interna, o Brasil pode se tornar vulnerável a oscilações internacionais, como as que ocorreram durante a pandemia e os conflitos geopolíticos recentes.
O evento teve a presença de outros líderes do setor, incluindo André Passos, presidente executivo da Abiquim, e representantes de empresas como Dow e Indorama Ventures, que também discutiram a necessidade de estratégias para fortalecer a indústria química brasileira até 2035.



