A fatura de um dos capítulos mais controversos do automobilismo europeu recente continua a ser debitada da conta dos contribuintes franceses. A metrópole de Toulon-Provence-Méditerranée, localizada no sul do país, aprovou a liberação de mais 1,6 milhão de euros (aproximadamente R$ 10,2 milhões) para mitigar o déficit financeiro remanescente da etapa da Fórmula 1 disputada no Circuito Paul Ricard, em Le Castellet.
A deliberação é o desdobramento mais recente de um colapso orçamentário cujas proporções superam a casa dos três dígitos em milhões. Realizado entre os anos de 2018 e 2022, o evento automobilístico transformou-se em um severo passivo fiscal para diferentes esferas da administração pública na região de Provença-Alpes-Costa Azul.
Devastação orçamentária sem retorno comprovado
Investigações e auditorias conduzidas pela Câmara Regional de Contas trouxeram à tona a fragilidade econômica do projeto. De acordo com o órgão fiscalizador francês, o grupo incumbido de promover a corrida drenou mais de 102,9 milhões de euros em fundos públicos ao longo de quatro edições. O relatório oficial aponta que não houve a contrapartida de retorno financeiro nem o dinamismo comercial prometido para a região.
Quando a entidade organizadora teve suas atividades encerradas após a edição de 2022, deixou para trás um rastro de inadimplência junto a fornecedores e prestadores de serviços que alcançava a marca inicial de 35,7 milhões de euros.
Prejuízo compartilhado entre municípios
Um plano de reestruturação do débito conseguiu renegociar o montante total para o patamar de 15 milhões de euros. Contudo, a liquidação desse saldo remanescente exige aportes diretos de diversas prefeituras e governos locais. O rateio envolve inclusive localidades sem ligação territorial direta com o autódromo, como as regiões metropolitanas de Nice, Aix-Marselha e Toulon.
A insistência no uso de recursos municipais para absorver o rombo tem provocado intensos debates nas câmaras locais. Oponentes políticos e a opinião pública criticam severamente a alocação de verbas sociais para cobrir o fracasso comercial de um evento esportivo privado.




