Fezes de Cães: Não são Adubo Sem Tratamento Adequado
É comum a crença de que fezes de animais podem ser utilizadas como adubo, especialmente aquelas de espécies herbívoras. Entretanto, essa prática não se aplica às fezes de cães sem um tratamento adequado. O biólogo e veterinário Murilo Luiz e Castro Santana, especialista em Gestão Ambiental, esclarece que, embora as fezes caninas contenham matéria orgânica e nutrientes, elas precisam passar por um processo de tratamento controlado antes de serem utilizadas de forma segura.
Segundo Santana, para que os dejetos de animais sejam utilizados de maneira ambientalmente responsável, é essencial implementar um sistema de coleta, tratamento e destinação. Isso pode incluir técnicas como compostagem, biodigestão e outras formas de manejo de resíduos orgânicos. Esses processos requerem um controle rigoroso de fatores como temperatura, umidade e aeração.
Os Riscos Associados ao Acúmulo de Fezes de Cães
O engenheiro agrônomo Caio de Teves Inácio, pesquisador da Embrapa Agrobiologia, alerta que apenas a compostagem profissional é considerada eficaz. Esse método eleva a temperatura do material a 60 ou 65 graus Celsius, o que é fundamental para eliminar patógenos. Inácio ressalta que a compostagem caseira pode não atingir essas temperaturas, permitindo a proliferação de microrganismos nocivos.
O veterinário Santana enfatiza a importância de recolher fezes de cães em espaços públicos e coletivos, como praças e calçadas. Deixar os dejetos espalhados representa um risco tanto para a saúde pública quanto para a saúde dos próprios animais. As fezes podem transmitir doenças, como a toxocaríase, que é causada por parasitas presentes nas fezes de cães e gatos. Outro risco é a contaminação pelo parvovírus canino, que pode permanecer no solo por longos períodos, expondo outros cães, especialmente os filhotes, a infecções.
Impactos Ambientais e de Saúde
O acúmulo de fezes de cães em áreas urbanas não se resume a um problema de limpeza; é uma questão abrangente de saúde pública, saúde animal e qualidade ambiental. Santana destaca que os dejetos caninos podem contribuir com nitrogênio, fósforo e patógenos para os corpos d'água, especialmente através do escoamento da água da chuva.
Inácio também aponta que já foram registrados casos de vegetais, como alfaces, contaminados com coliformes fecais provenientes de estercos mal manejados. Para garantir a segurança alimentar, ele recomenda que estercos não sejam aplicados diretamente no solo, especialmente em culturas consumidas frescas, como morangos e alfaces.
Conservação e Respeito ao Espaço Coletivo
Os especialistas concordam que, independentemente da origem, fezes de qualquer animal, seja canino, felino ou herbívoro, não devem ser depositadas diretamente no solo. Essa prática é fundamental para a conservação do meio ambiente e o respeito ao uso coletivo de espaços urbanos. Manter a cidade limpa e segura é um dever de todos os cidadãos.




