O Ministério da Fazenda não atendeu ao pedido do governo do Distrito Federal (GDF) para discutir um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, que visa a capitalização do Banco de Brasília (BRB). Em comunicado, o ministério deixou claro que a responsabilidade pela estruturação e execução da operação não é da esfera federal, e que o GDF deve tratar diretamente com instituições financeiras.

O pedido de reunião, feito em 20 de agosto pela chefia de gabinete da governadora Celina Leão (PP), visava dar prosseguimento às negociações sobre a operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Contudo, a resposta do ministério, datada de 31 de agosto e enviada ao GDF em 2 de setembro, reafirmou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) já estão representando a União nas discussões em andamento, mas sem que isso implique na condução da operação pelo governo federal.

O ofício destaca que a atuação do governo federal deve se limitar a auxiliar nas discussões, sem assumir a responsabilidade pela execução. “A estruturação e a execução da operação não se inserem nas atribuições do governo federal”, afirmou o texto. O ministério enfatizou que a o próximo passo deve ser dado exclusivamente pelo GDF, que precisa estabelecer articulações com o mercado financeiro.

A Fazenda reafirmou sua disposição para participar das reuniões e ajudar na coordenação dos encaminhamentos necessários, mas deixou claro que o controle do processo é do Distrito Federal. Essa postura reforça a posição do ministro Dario Durigan, que tem repetido que a situação do BRB é uma questão que deve ser resolvida apenas pelo governo local.

Para entender o contexto da crise que envolve o BRB, é importante mencionar que o problema teve origem em operações realizadas entre o banco e o Banco Master, entre 2024 e 2025. Essas transações totalizaram cerca de R$ 30 bilhões e foram alvo de investigação da operação Compliance Zero da Polícia Federal, que levantou suspeitas sobre fraudes financeiras.

Em abril, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi detido em decorrência das investigações. O banco estima que aproximadamente R$ 8,8 bilhões dos créditos adquiridos do Banco Master são inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.

O governo do DF alega que poderá arcar com R$ 2,2 bilhões do rombo e busca os R$ 6,6 bilhões em empréstimo junto ao FGC, com a intenção de que bancos públicos e privados atuem como garantidores. No entanto, eles hesitam em assumir o risco, e o FGC precisa de informações adicionais, como os balanços financeiros de 2025 e 2026, para decidir sobre a viabilidade do empréstimo.