Ministério da Fazenda propõe crédito e capacitação para empresas
No dia 3 de setembro de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou que o governo está considerando a implementação de linhas de crédito subsidiadas e programas de capacitação para auxiliar as empresas diante do possível aumento de custos após a extinção da escala 6X1. A declaração foi feita em uma entrevista à emissora Record.
Durigan enfatizou a importância de analisar os impactos operacionais e financeiros da mudança em cada setor antes de definir as medidas a serem adotadas. Ele destacou que alguns empreendimentos poderão necessitar de maior investimento em horas extras, enquanto outros podem buscar financiamento ou capacitação para se adaptar à nova realidade.
O ministro reafirmou a intenção do governo de dialogar diretamente com os setores afetados para garantir uma transição suave. "Queremos tornar essa mudança simples e indolor para os empresários brasileiros", afirmou Durigan, embora não tenha especificado valores, taxas ou critérios para a concessão do crédito.
Impacto sobre trabalhadores e jornada de trabalho
De acordo com dados apresentados pelo ministro, cerca de 70% da força de trabalho brasileira já não opera sob a escala 6X1. Esse segmento trabalha em jornadas de 5 dias com 2 de descanso ou cumpre 40 horas semanais. Os restantes 30% que ainda estão nessa escala trabalham 6 dias seguidos, com um dia de descanso.
Durigan ressaltou que a maioria dos trabalhadores na escala 6X1 pertence a grupos de menor renda, com uma significativa presença de mulheres, negros e pessoas que não tiveram acesso a oportunidades de capacitação. O ministro descreveu o fim desse modelo de jornada como um “avanço civilizacional”, citando experiências internacionais que demonstram aumento da produtividade e melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores.
Andamento da proposta de emenda constitucional
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221 de 2019, que visa a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e a introdução de dois dias de descanso sem perda salarial, teve aprovação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 2 de setembro de 2026. Contudo, ainda precisa ser aprovada em dois turnos por pelo menos 49 dos 81 senadores.
Durigan espera que as votações ocorram em meados de outubro, embora o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tenha informado que a análise da proposta será postergada até após as eleições.




