Famílias Encarceradas: Um Custo Invisível
Um novo estudo realizado pela Pastoral Carcerária Nacional expõe a realidade financeira das famílias de presos no Brasil, que, anualmente, desembolsam mais de R$ 4 bilhões apenas para garantir visitas aos seus entes queridos. A pesquisa, que entrevistou 2.706 pessoas entre dezembro de 2025 e abril deste ano, destaca que o gasto mensal com transporte, alimentação e itens pessoais pode ultrapassar R$ 1.000 por família.
O relato de uma mãe de 75 anos, que enfrenta longas filas e dificuldades financeiras para visitar seu filho, ilustra a luta diária dessas famílias. Para ela, a experiência é marcada por um esforço imenso, agravado pela falta de recursos para adquirir roupas e itens exigidos nas penitenciárias.
Desigualdade e Impactos Sociais
De acordo com a Pastoral Carcerária, essa situação representa uma “economia invisível do cárcere”, revelando como o encarceramento em massa se transforma em uma política que transfere custos do Estado para famílias já vulneráveis. As consequências disso são profundas, afetando desproporcionalmente grupos por raça, gênero e classe social.
Dentro desse contexto, o auxílio-reclusão surge como uma possível solução para aliviar essa carga financeira. No entanto, apenas 2,47% das famílias elegíveis recebem o benefício, que foi restringido após a aprovação da “Lei Antifacção”. Essa legislação impede a concessão do auxílio a dependentes de presos envolvidos com organizações criminosas, o que, segundo especialistas, pode agravar ainda mais a situação financeira das famílias.
Detalhe dos Gastos
A pesquisa revela que o custo médio de uma visita semanal totaliza R$ 189,89, além de um gasto com um “kit” de itens para os presos que varia em torno de R$ 293,52. Assim, o total mensal para uma família que visita semanalmente pode alcançar R$ 1.053,09. Para visitas quinzenais, o valor é de R$ 624,80.
Quem São os Pagadores?
Os dados também mostram que a responsabilidade financeira recai predominantemente sobre mulheres, especialmente negras e pardas. Aproximadamente 94% dos respondentes são mulheres, e 65,5% se identificam como pessoas negras ou pardas. Essa estrutura ressalta a carga desproporcional que essas mulheres enfrentam, que muitas vezes incluem experiências de violência e constrangimento durante as visitas.
Violência e Constrangimento nas Visitas
O ambiente das prisões também se revela hostil, com mais de 60% das mulheres relatando humilhação e desrespeito. Tais práticas, incluindo revistas íntimas, foram consideradas ilícitas pelo Supremo Tribunal Federal em 2025, mas a realidade nas penitenciárias ainda demonstra um desrespeito aos direitos humanos.
Conclusão
Os resultados da pesquisa da Pastoral Carcerária expõem a dura realidade enfrentada por famílias de detentos, revelando um sistema que não apenas perpetua desigualdades sociais, mas também a necessidade urgente de revisão das políticas públicas que afetam a vida dessas pessoas. A luta por direitos e dignidade deve ser uma prioridade.




