Em meio à tragédia causada por um terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia, o governo do presidente Abelardo de la Espriella anunciou uma decisão polêmica: restringir a ajuda internacional a apenas quatro países. A escolha inclui Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel, todos com afinidade política à direita, o que levanta questões sobre a motivação por trás dessa seleção.

O terremoto, que ocorreu na manhã de 10 de agosto próximo a San José del Palmar, deixou um saldo trágico de mais de 270 mortos e centenas de desaparecidos. A resposta do governo foi imediata, mas focada apenas em equipes de resgate desses quatro países, ignorando outras nações dispostas a oferecer assistência, como o Brasil.

O diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD), David Tamayo, justificou essa decisão afirmando que a escolha se baseia em protocolos internacionais, e não em critérios políticos. No entanto, a coincidência da seleção com a orientação política do novo governo levanta suspeitas. Os países escolhidos são conhecidos por suas posições conservadoras e por manterem relações estreitas com a administração de Donald Trump.

Os Efeitos Políticos da Escolha

A decisão de Espriella é um reflexo claro de sua guinada à direita desde que assumiu a presidência, em agosto. Ele foi eleito com um discurso que enfatizava a segurança pública e a liberalização da economia, alinhando-se com líderes de direita na América Latina. Essa nova abordagem é um contraste evidente com o governo anterior de Gustavo Petro, que favoreceu uma política externa mais voltada para a esquerda e criticou abertamente a administração Trump.

Abelardo de la Espriella, advogado de formação e político com forte viés conservador, chegou ao poder prometendo endurecer o combate ao crime e reduzir a intervenção do Estado na economia. A sua administração enfrenta o primeiro grande desafio diante da catástrofe natural, que não apenas exige uma resposta humanitária, mas também uma gestão eficaz dos recursos públicos em um cenário de déficit fiscal crescente.

Emergência Econômica e Medidas de Apoio

Com a magnitude do desastre, o governo declarou emergência econômica, permitindo a implementação de medidas emergenciais para apoiar as vítimas e iniciar a recuperação das áreas afetadas. Entre as ações, estão a criação do Fundo Milagro, voltado para a reconstrução de infraestruturas essenciais como hospitais e escolas, e a oferta de subsídios e benefícios fiscais.

Apesar das justificativas de caráter técnico para a escolha dos países, muitos analistas veem essa limitação como um sinal das prioridades internacionais do governo Espriella. O foco em países conservadores pode ser interpretado como uma tentativa de estabelecer laços mais estreitos com a direita mundial, especialmente em um momento em que a Colômbia precisa de apoio internacional significativo.

O Primeiro Grande Desafio do Novo Governo

A resposta a essa catástrofe representa um teste crucial para a administração Espriella, que apenas três dias após a posse enfrentou uma crise de grande escala. A habilidade do governo em gerenciar a situação e reconstruir o país será observada de perto, especialmente em um contexto de pressão sobre as contas públicas, que já apresenta um déficit alarmante.

Enquanto isso, a população colombiana espera que as promessas de auxílio se concretizem, independentemente das alianças políticas. A capacidade do governo de unir esforços em resposta a essa tragédia poderá moldar a percepção pública e a credibilidade da nova administração nos meses que virão.