Recentemente, uma bebida energética com rótulo que evoca a cannabis causou alvoroço em Goiânia. O produto, chamado Mister Hemp, foi encontrado à venda em uma padaria situada ao lado de uma escola cristã no Setor Bueno, o que despertou a preocupação de pais e educadores.

Uma mulher que passava pelo local gravou um vídeo expressando sua indignação. "A padaria oferece itens tradicionais, como pão e leite, mas também está comercializando um energético que remete à maconha. Embora a bebida não contenha maconha, sua presença pode incitar a curiosidade de jovens e crianças", afirmou a mulher, ressaltando o risco que tal produto pode representar para os adolescentes.

O energético em questão utiliza uma estética associada à cultura da cannabis, o que levanta questionamentos sobre sua aceitação em um ambiente escolar. De acordo com informações do fabricante, o Mister Hemp não contém THC ou CBD; sua composição é baseada em cafeína, taurina e terpenos.

Além da controvérsia sobre o nome e a embalagem, um detalhe crucial merece atenção: em julho de 2023, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma ordem para o recolhimento do produto, suspendendo sua venda e distribuição. A Anvisa alegou que a empresa não apresentou estudos de estabilidade e não comprovou a regularização do energético no sistema nacional de vigilância sanitária. Essa decisão enfatiza que, independentemente das discussões sobre a identidade do produto, sua comercialização é ilegal.

Em relação à venda do energético em um local próximo a uma escola, a nutricionista Gabriela Teixeira sublinha a preocupação com a oferta de bebidas energéticas a crianças e adolescentes. "Esses jovens não necessitam desse tipo de bebida, e o consumo pode resultar em efeitos adversos como agitação, ansiedade e perturbações do sono", alertou.

A identidade visual do Mister Hemp também foi alvo de críticas. Gabriela argumentou que as cores, sabores e elementos gráficos da embalagem são projetados para atrair um público jovem, o que pode influenciar a percepção deles sobre o produto. "A questão não é apenas saber se contém maconha, mas entender por que estamos permitindo que energéticos sejam normalizados em ambientes escolares", concluiu.

A polêmica continua a gerar debates sobre a responsabilidade dos estabelecimentos em oferecer produtos potencialmente prejudiciais a um público jovem e sobre a necessidade de regulamentações mais rigorosas para bebidas energéticas no Brasil.