As eleições que se aproximam no Brasil não apenas moldarão o futuro político interno, mas também poderão influenciar decisivamente as relações do país com Israel e Ucrânia, cujas interações têm sido marcadas por tensões nos últimos anos.

Os candidatos mais destacados na corrida eleitoral são Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente e candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e Flávio Bolsonaro, senador e representante do Partido Liberal (PL). A vitória de um deles pode resultar em mudanças significativas na diplomacia brasileira, especialmente no que diz respeito às posições acerca dos conflitos que afetam ambos os países.

O presidente Lula, ao longo de seu mandato, levantou polêmicas ao criticar a atuação de Israel na Faixa de Gaza e a postura do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em relação à guerra com a Rússia. Em uma dessas declarações, Lula insinuou que Zelensky compartilhava a responsabilidade pelo conflito, comparando a situação em Gaza com o Holocausto, o que gerou uma forte reação do governo israelense.

  • Embaixadas sem Embaixadores: O Brasil não conta com embaixador em Israel desde maio de 2024, quando Lula retirou Frederico Meyer do cargo. A ausência de diplomatas em posições chaves é vista como um sinal de descontentamento entre as nações.
  • Relações com a Ucrânia: A embaixada ucraniana no Brasil também não tem um embaixador atualmente, desde que Andrii Melnyk deixou o país para assumir um novo papel na ONU.
  • Visão de Flávio Bolsonaro: Em contraste, Flávio Bolsonaro tem demonstrado uma postura mais favorável a Israel, prometendo um alinhamento mais estreito com o governo israelense, caso vença a eleição.

A crise entre Brasil e Israel se intensificou em fevereiro de 2024, quando Lula fez comparações entre as ações de Israel e os crimes cometidos durante o Holocausto, provocando a ira do governo israelense, que o declarou persona non grata. A reação de Israel incluiu o convite para que o embaixador brasileiro no país fosse reprimido, levando o governo brasileiro a reagir com a convocação e posterior remoção definitiva do embaixador.

Além disso, o Brasil se retirou da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto e apoiou ações contra Israel na Corte Internacional de Justiça, o que complicou ainda mais as relações bilaterais. A expectativa é que a situação possa mudar após as eleições, dependendo do vencedor.

A relação do Brasil com a Ucrânia é igualmente tensa, com Lula mantendo uma posição que, segundo diplomatas ucranianos, poderia não se alterar substancialmente caso ele seja reeleito. A Ucrânia busca um apoio mais firme do Brasil, especialmente após os recentes conflitos, mas as declarações de Lula em apoio à Rússia, combinadas com sua crítica à atuação ucraniana, têm gerado desconforto.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro, que já teve encontros com líderes israelenses, pode trazer uma nova perspectiva para a política externa do Brasil se for eleito. A indefinição sobre como o governo dele se posicionaria em relação à guerra na Ucrânia cria um cenário de incertezas.

Como as relações entre as nações estão em um momento delicado, a escolha do novo presidente será crucial para determinar o futuro da diplomacia brasileira em um contexto global cada vez mais polarizado.