Dívida Pública dos EUA Atinge Marca Histórica de US$ 40 Trilhões

Nesta quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulgou um dado alarmante: a dívida pública do país superou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões. Com um total de US$ 40,047 trilhões registrado na última terça-feira, 18 de agosto, essa cifra representa um crescimento significativo e contínuo nas contas governamentais norte-americanas.

Desse montante, US$ 32,266 trilhões estão representados por títulos do governo em posse do público, enquanto US$ 7,782 trilhões correspondem a dívidas entre diferentes setores do governo. Para contextualizar, em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu a presidência, a dívida era de US$ 19,95 trilhões, mais que o dobro em menos de uma década.

Fatores Contribuintes para o Aumento da Dívida

O crescimento expressivo da dívida pública pode ser atribuído a diversos fatores, sendo a pandemia de Covid-19 um dos principais responsáveis. Aproximadamente um terço do aumento desde 2017 está relacionado aos gastos dos governos de Trump e Biden para mitigar os impactos da crise sanitária. Além disso, o desequilíbrio crônico entre arrecadação e despesas do governo, aliado a decisões fiscais ao longo dos anos, também desempenhou um papel crucial.

Especialistas que monitoram as finanças dos EUA já previam que a dívida chegaria a esse patamar, e agora alertam que a situação pode se deteriorar ainda mais se o Congresso não tomar medidas para aumentar a arrecadação fiscal, reduzir gastos ou implementar uma combinação de ambas.

Impacto no Mercado de Títulos

O aumento da dívida está impactando diretamente o mercado de títulos do Tesouro. Na semana passada, um leilão de US$ 25 bilhões em títulos com vencimento em 30 anos registrou o maior rendimento desde 2021. Os juros dos títulos de longo prazo atingiram seus maiores níveis em quase duas décadas, enquanto o “prêmio de prazo” dos papéis de 10 anos, que mede o risco associado a um investimento prolongado, também subiu para um máximo em mais de dez anos.

Para tentar conter a alta dos juros, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a ampliação das recompras de títulos com vencimento de 10 a 30 anos, dobrando o volume para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.

O Cenário Internacional e o Risco de Volatilidade

Outro aspecto que merece atenção é a participação dos investidores estrangeiros na compra desses títulos. Eles detêm quase um terço dos papéis mais suscetíveis a variações de preço. John Canavan, analista da Oxford Economics, alerta que, caso a demanda internacional diminua, a volatilidade no mercado pode aumentar, o que traria novos desafios para a economia americana.

Com essas novas cifras, a administração Biden enfrenta um cenário financeiro desafiador, exigindo uma reflexão sobre as políticas econômicas e fiscais em vigor.