Leonardo Dias Mendonça, conhecido como o "Barão do Tráfico", faleceu em Campo Grande (MS) na última quinta-feira (21/8), levando sua defesa a levantar suspeitas de envenenamento. O traficante de 63 anos, que foi um dos principais nomes do tráfico internacional de drogas na América Latina, estava internado em estado grave na Santa Casa após passar mal durante cumprimento de pena.
A morte de Mendonça foi confirmada por seus advogados, que relataram que o corpo foi encaminhado para procedimentos sem que uma informação crucial, a suspeita de envenenamento, estivesse documentada oficialmente. Em nota, a advogada Ana Cláudia Alves expressou sua indignação, ressaltando que a família e a defesa foram informadas apenas por telefone sobre essa gravíssima suspeita.
Segundo a defesa, é inaceitável que, em um momento de tamanha dor, os familiares enfrentem um estado de abandono e impotência. A defesa aguarda agora as providências das autoridades para que o corpo seja liberado e trasladado para Goiás, onde Mendonça mantinha suas raízes e vínculos familiares.
Durante sua trajetória criminosa, Leonardo Dias Mendonça foi vinculado ao tráfico de cocaína em parceria com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao influente traficante Fernandinho Beira-Mar. Ele cumpriu pena entre os anos de 2000 e 2018, período durante o qual, segundo investigações, teria continuado a comandar operações do tráfico mesmo atrás das grades.
Após sua saída da prisão, Mendonça voltou a ser investigado em 2019, desta vez por supostamente liderar uma organização criminosa que operava em Goiás, com envolvimento em carregamentos significativos de cocaína. Em 2002, ele foi considerado uma das principais figuras do tráfico na América Latina, sendo procurado por autoridades de quatro países devido à sua notoriedade e ao tamanho de suas operações.
A Polícia Federal revelou que Mendonça utilizava a compra de propriedades e gado como uma estratégia para lavar o dinheiro proveniente do tráfico, mantendo uma vasta rede criminosa internacional, mesmo durante seu encarceramento. A expectativa agora gira em torno das investigações sobre sua morte, que podem desvendar mais um capítulo sombrio da história do tráfico de drogas no Brasil.




