A recente confirmação de paternidade por meio de um exame de DNA trouxe à tona uma complexa disputa pela herança do ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner. O laudo, realizado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), apontou uma probabilidade de 99,99% de que Enrique Alfredo Freitas seja o filho biológico do ex-líder, morto em 2006.
A herança de Stroessner, que governou o Paraguai por quase 35 anos, enfrenta desafios significativos, como a falta de um inventor completo de seus bens e a contestações legais. Uma de suas filhas questiona a legitimidade de Enrique como herdeiro, argumentando que ele não possui reconhecimento judicial. Para complicar ainda mais a situação, ela alega que o prazo para reivindicar a herança já teria expirado.
O exame de DNA foi autorizado pela Justiça do DF e realizado em 2021, após a exumação do corpo do ex-ditador. Os peritos analisaram amostras de Enrique e de sua mãe, além de material genético extraído dos restos mortais de Stroessner, incluindo o crânio e outros ossos.
Os resultados revelaram que os perfis genéticos encontrados apresentavam alta compatibilidade, corroborando a paternidade. Segundo o laudo, os peritos afirmaram: "A probabilidade de paternidade obtida é de 99,99999998%", o que reforça os laços familiares entre os dois.
A dimensão da herança de Stroessner ainda é incerta, mas estimativas indicam que seus bens podem ultrapassar bilhões de reais. Há expectativas de que parte desse patrimônio esteja localizada em países como Suíça, Estados Unidos e Brasil, além do Paraguai.
Contexto Histórico de Alfredo Stroessner
Alfredo Stroessner foi um dos líderes mais controversos da América do Sul, tendo governado o Paraguai de 1954 a 1989, após um golpe militar. Seu regime foi marcado por repressão severa, com milhares de desaparecimentos e violações de direitos humanos. Documentos que vieram à tona em 1992, conhecidos como o “Arquivo do Terror”, revelaram a extensão das atrocidades cometidas durante seu governo.
Após ser deposto por um golpe militar em 1989, Stroessner viveu os últimos anos de sua vida no Brasil, onde faleceu em 2006. Ele foi sepultado em Brasília, sua última morada, após ter vivido discretamente na capital por quase duas décadas.
Implicações Legais e Futuras
A decisão do desembargador Renato Rodovalho Scussel sobre a legitimidade de Enrique como herdeiro abriu um precedente importante. A Justiça brasileira se mostrou competente para lidar com o inventário dos bens de Stroessner, independentemente da nacionalidade dos herdeiros ou do falecido, o que reforça o direito sucessório de Enrique.
Com o desenrolar deste caso, espera-se que novas revelações sobre a fortuna de Stroessner e sobre a disputa familiar venham à tona, trazendo mais clareza sobre o futuro dos seus bens e a definição das relações familiares envolvidas.




