O coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Francisco Eronildo Feitosa Rodrigues, está no centro de uma controvérsia após ter sido condenado a 54 anos de prisão por corrupção e continuar a receber um salário significativo enquanto se encontrava foragido da Justiça. De acordo com informações disponíveis no Portal de Transparência do Distrito Federal, somente neste ano, Feitosa recebeu um salário líquido de R$ 25 mil, relacionado ao seu cargo de coronel, sem especificações sobre a função exercida.

Em junho, o coronel também recebeu uma bonificação de R$ 15 mil, que se refere a pagamentos pertinentes a 13°, férias e diárias. A aposentadoria de Feitosa ocorreu em 2018, e, ao deixar a corporação, o militar recebeu um montante líquido de R$ 539.346,69. Deste total, cerca de R$ 200 mil foram destinados a uma indenização de férias, enquanto R$ 255 mil foram referentes ao ressarcimento de licenças especiais e R$ 70 mil foram classificados como ajuda de custo.

A situação se tornou ainda mais crítica após a prisão do coronel, ocorrida na última segunda-feira (3 de agosto), pela Companhia de Policiamento Especializado (CPE) de Águas Lindas. Ele foi encontrado em uma propriedade localizada entre os municípios de Girassol e Águas Lindas, em Goiás. Durante a abordagem, foram apreendidas três armas, incluindo um revólver e duas espingardas equipadas com lunetas e silenciadores.

Histórico e Consequências da Condenação

Francisco Eronildo Feitosa Rodrigues foi preso inicialmente em novembro de 2017 durante a Operação Mamon, que investigou a cobrança de propinas em contratos relacionados à manutenção de viaturas da PMDF, além de manipulação de procedimentos licitatórios. No mesmo ano, o ex-coronel enfrentou denúncias por crime sexual e embriaguez no trabalho, destacando um histórico de infrações que culminaram na sua condenação.

Em 2021, Feitosa foi sentenciado a 73 anos de reclusão por concussão e associação criminosa. Contudo, em 2023, a Justiça do DF reavaliou a pena, reduzindo-a para 54 anos. Desde então, ele não se apresentou à Justiça e foi considerado foragido até sua captura recente.

O Metrópoles buscou esclarecimentos junto à PMDF sobre a continuidade dos pagamentos ao coronel condenado, mas até o momento não obteve resposta. O espaço permanece aberto para atualizações sobre este caso preocupante que expõe falhas na supervisão de remunerações no serviço público.