Um colar avaliado em R$ 2 milhões, presenteado a Neymar em 2023, tornou-se um elemento crucial em uma investigação realizada pela Polícia Civil de São Paulo. O inquérito examina a origem de ouro utilizado na fabricação de joias, levando à descoberta de uma rede suspeita que recebia, derretia e comercializava metais preciosos oriundos de atividades ilícitas.
A joia, que chamou a atenção do público, foi dada pelo influenciador Buzeira ao jogador durante o evento "cruzeiro Ney em Alto Mar", realizado em dezembro de 2023. A visibilidade da peça permitiu que os investigadores rastreassem a quem cabia a responsabilidade pela sua confecção, o que aprofundou a investigação sobre a origem do material precioso.
Como o Colar de Neymar Entrou na Investigação?
O colar foi produzido pelo ourives Douglas Bonetti Rocha, conhecido como Jimmy, associado à Dimi Joias. Após identificar o fabricante, a Polícia Civil começou a investigar mais a fundo a origem do ouro utilizado na joia. As explicações fornecidas sobre a procedência do material foram julgadas insuficientes pelos policiais, o que levou a uma nova linha de investigação e culminou na Operação Ouro Reverso.
Neymar não é considerado suspeito no caso, tendo sido ouvido apenas como testemunha, enquanto a investigação foca na rede de compra, transformação e revenda do ouro.
Desdobramentos da Operação Ouro Reverso
A segunda fase da Operação Ouro Reverso foi desencadeada na última segunda-feira (24), visando um grupo que supostamente se dedica à receptação de joias e metais preciosos. A ação resultou em 28 mandados de busca e apreensão, além de quatro ordens de prisão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 34,6 milhões em contas e bens relacionados aos investigados, incluindo veículos e imóveis.
Funcionamento do Esquema de Ouro Roubado
Um dos principais focos da investigação é um grupo conhecido como “círculo de fogo”, composto por empresas localizadas no centro de São Paulo. Segundo as apurações, essas empresas estariam recebendo joias roubadas ou furtadas, que seriam derretidas para dificultar o rastreamento de sua origem, e posteriormente colocadas de volta no mercado. O objetivo da investigação é reconstruir esse circuito financeiro e comercial, identificando fornecedores, compradores e outros possíveis envolvidos.
Embora o colar tenha se tornado uma evidência significativa para a polícia, não se trata de uma prova da participação de Neymar em qualquer irregularidade. Sua relevância reside na capacidade de auxiliar as autoridades na identificação de indivíduos e empresas envolvidas na origem do ouro utilizado na joia.




