No último sábado (29 de agosto de 2026), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em parceria com 34 federações e sindicatos, lançou uma campanha nacional com o tema: "A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não". A ação visa chamar a atenção para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Senado, que propõe alterações significativas na jornada de trabalho, incluindo o fim da escala 6 X 1.

A CNC fez um apelo aos senadores, ressaltando os "graves riscos de aprovar uma mudança constitucional sobre a jornada de trabalho em um momento de elevada fragilidade econômica". A entidade argumenta que a economia brasileira já enfrenta desafios consideráveis, como altas taxas de juros, crédito restrito, endividamento histórico das famílias e inadimplência crescente entre empresas. Além disso, há preocupações com a saída de investimentos estrangeiros do país.

Outro ponto abordado pela CNC é a questão do fim da taxa das blusinhas, que, segundo a entidade, acentuou a concorrência desleal no varejo nacional. A confederação critica o momento escolhido para discutir essas mudanças, apontando que interesses políticos estão influenciando decisões econômicas cruciais.

A CNC enfatiza que, apesar de apoiar o debate sobre o bem-estar do trabalhador, é fundamental que decisões dessa magnitude sejam tomadas com base em análises técnicas e diálogo aprofundado. "A conta para quem produz e emprega no Brasil já está alta demais. Votar essa alteração constitucional drástica nas relações de trabalho de forma apressada, às vésperas de um processo eleitoral, pode colocar em risco a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e a manutenção de empregos formais em toda a cadeia produtiva", afirmou a confederação.

Além disso, a CNC expressou sua disposição para negociar coletivamente, considerando as particularidades de cada região e setor. O objetivo é encontrar soluções que atendam tanto às necessidades dos trabalhadores quanto às realidades do mercado.