A Polícia Federal (PF) prendeu Victor Hugo Henriques, proprietário da empresa MRG Gerenciamento e Serviços, por se passar por um agente do Superior Tribunal Militar (STM) para realizar a compra ilegal de munições. O ex-deputado federal Daniel Silveira, atualmente consultor comercial da MRG, também está envolvido no caso, que levanta questões sobre práticas criminosas no uso de documentos falsificados.
A autorização para que Silveira atuasse como consultor foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho passado. Em suas funções, o ex-parlamentar é responsável pela prospecção de clientes e negociações de contratos, no entanto, sua conta bancária permanece bloqueada por determinação judicial, levando-o a receber pagamentos em espécie.
No dia 7 de abril, Victor, usando uma identidade falsa de agente da Polícia Judicial do STM, dirigiu-se a uma loja de armas em Duque de Caxias. A PF revelou que ele não é servidor do tribunal e, ao tentar adquirir munições, apresentou seis certificados de registro de arma de fogo (Crafs), sendo que quatro das armas mencionadas não estavam registradas nos sistemas oficiais, enquanto as demais apresentavam inconsistências nos dados.
As investigações indicam que Victor pagou suas aquisições através de três transferências: duas de contas pessoais e uma de R$ 3.600,53 da conta da MRG. A PF, que indiciou o empresário por posse ilegal de armas e uso de documentos falsos, encontrou em sua residência 14 armas, incluindo um fuzil T4, pistolas e espingardas, além de mais de 2.500 munições intactas. Um dos armamentos tinha numeração raspada.
Victor foi detido em 29 de maio em seu apartamento na Tijuca, onde a PF também apreendeu distintivos e carteiras funcionais falsificadas. Durante a investigação, um Mitsubishi Pajero blindado, com sirenes de uso policial instaladas de forma irregular, foi localizado. Ele ainda é alvo de investigações em um inquérito separado, que apura possíveis ligações com organização criminosa e tráfico de armas.
A defesa de Victor não retornou as solicitações de comentários, e a reportagem também tentou contato com a defesa de Daniel Silveira sem sucesso. O espaço está aberto para manifestações de ambos.




