Os casos de hepatite A em São Paulo apresentaram um incremento alarmante em 2026. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, foram identificados 1.880 casos apenas no primeiro semestre deste ano, cifra que já supera o total de 1.663 casos registrados durante todo o ano de 2025.
A correlação entre o aumento da doença e a precariedade do saneamento básico é uma preocupação crescente. O Instituto Trata Brasil revela que em áreas sem infraestrutura adequada de saneamento, especialmente nas proximidades de corpos hídricos contaminados, a propensão a surtos de hepatite A e outras doenças é significativa. Dados do DATASUS (2024) mostram que, na região Sudeste, houve mais de 109 mil internações e 2.052 óbitos relacionados a essas enfermidades.
Os segmentos mais vulneráveis são aqueles com menor poder aquisitivo e baixa escolaridade, residentes nas áreas periféricas das cidades. Em São Paulo, a média de renda entre os afetados por falta de saneamento básico é de R$ 1.341,90, com apenas nove anos de educação formal e um custo médio de aluguel de R$ 556,63. Apesar desses dados preocupantes, a capital paulista, com um índice de coleta de esgoto de 99,3%, apresenta um dos menores índices de hepatite A no estado, atingindo apenas 0,7% da população.
A cidade de Ribeirão Preto se destaca como a mais impactada, com 1.024 casos entre janeiro e julho de 2026. Entretanto, a subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi Passos, aponta que os surtos estão mais associados ao manuseio inadequado de alimentos do que à falta de saneamento. Ela menciona que alguns casos foram rastreados até dois trabalhadores de uma pastelaria.
A subsecretária ressalta que, embora o saneamento básico seja um fator importante, a contaminação alimentar é um dos principais agentes de disseminação da hepatite A em centros urbanos. Recentemente, a prefeitura de Ribeirão Preto enfatizou que seus parâmetros de saneamento seguem as normas estabelecidas pela legislação, com um rigoroso controle de qualidade da água e coleta de esgoto.
Em resposta ao aumento dos casos, Luzia recomenda a adoção de medidas preventivas, como:
- Isolamento social para indivíduos infectados;
- Práticas rigorosas de higiene, incluindo a lavagem das mãos;
- Consumo de alimentos e água provenientes de fontes seguras;
- Desinfecção de frutas e verduras utilizando água tratada misturada com água sanitária.
Em um comunicado oficial, a Prefeitura de Ribeirão Preto reiterou que não há evidência de que a recente onda de hepatite A esteja ligada a falhas no sistema de saneamento. A administração municipal destacou que o surto ocorreu de forma comunitária e não está restrito a áreas específicas, desafiando a ideia de que problemas generalizados de abastecimento são a única causa.
O controle da qualidade da água em Ribeirão Preto atende às exigências da Portaria GM/MS nº 888/2021, e a cidade trata 100% do esgoto coletado, com índices de cobertura de quase toda a população urbana.
O acompanhamento e a transparência nas informações sobre a saúde pública continuam sendo prioridades para as autoridades locais, que estão comprometidas em combater a desinformação e promover a saúde da população.




