Na corrida eleitoral para 2026, dezessete candidatos já tentaram registrar o nome 'Bolsonaro' como parte de suas identidades nas urnas, apesar da proibição da legislação eleitoral que exige que o nome utilizado no registro civil seja autêntico.

Em São Paulo, o Ministério Público Eleitoral (MPE) está atuando para impedir esses registros, enquanto em Rondônia um candidato ao Senado enfrenta acusações de fraude por usar esse sobrenome. Bruno Scheid, um dos concorrentes do bolsonarismo, optou pelo nome de urna 'Bruno Bolsonaro Scheid'. Na última terça-feira (11), a procuradoria regional eleitoral solicitou a anulação desse registro, alegando que tal uso é irregular e confunde o eleitor.

Segundo o MPE, o emprego de nomes de urna que geram incertezas sobre a identidade do candidato pode levar à desinformação, induzindo os eleitores ao erro. A acusação contra Scheid destaca que ele não possui qualquer relação de parentesco com a família Bolsonaro e que sua escolha de nome poderia ser considerada uma violação das normas eleitorais.

O MPE já havia requerido, no dia 7, a rejeição do nome de urna de Fabiana Barroso, que também tentou se apresentar como 'Fabiana Bolsonaro'. O órgão argumenta que o uso do sobrenome de um ex-presidente da República pode desestabilizar a votação ao gerar confusão e migração de votos.

É importante lembrar que a legislação eleitoral, conforme estabelecido em uma resolução do TSE de 2019, proíbe o uso de nomes que possam causar dúvidas sobre a identidade do candidato e que não sejam respeitosos ou absurdos.

Conflito entre Candidatos

Curiosamente, seis candidatos estão disputando uma vaga para a Assembleia Legislativa de São Paulo utilizando a denominação 'Bolsonaro', sendo que cinco deles pertencem ao PL. Apenas Marcelo e Valeria Bolsonaro são realmente integrantes da família, enquanto outros, como Mosart Aragão Pereira, tentam se vincular à imagem do ex-presidente por meio de alegações de proximidade.

Além disso, Thiago Felipe Neves (PL) adotou um nome de urna que sugere um grau de parentesco com Jair Bolsonaro e com o ex-candidato à presidência Enéas Ferreira Carneiro. Por outro lado, Samanta Salerno de Almeida já utilizou o nome 'Samanta Bolsonaro' em outras ocasiões, sem que houvesse contestação anterior do MPE.

Em Roraima, Hélio Lopes, deputado federal e amigo do ex-presidente, está concorrendo ao Senado sob a denominação 'Hélio Bolsonaro', mas ainda não recebeu objeções formais sobre seu registro.

Estratégias de Registro

Em várias regiões, candidatos têm adotado estratégias para burlar a proibição, como a inclusão da preposição “do”. Exemplos disso incluem Flaviane Ramalho, que se apresenta como 'Flaviane do Bolsonaro', e outros candidatos no Rio de Janeiro que seguem esse mesmo modelo.

Apesar dos esforços do MPE, alguns registros com o sobrenome 'Bolsonaro' foram aceitos, o que levanta questões sobre a aplicação das regras e a consistência no tratamento dos casos. No Rio de Janeiro, Jean Carlos Dias Barbosa Lopes se registrou como 'Jean Bolsonaro' e, em outras partes do país, o MPE continua a avaliar candidaturas que utilizam o sobrenome controverso.

A situação em torno do uso do nome 'Bolsonaro' nas eleições levanta questões sérias sobre identificação, ética e a integridade do processo eleitoral no Brasil, refletindo as tensões políticas atuais.