A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está utilizando técnicas de tracking para lidar com as consequências de uma polêmica recente envolvendo a empresária e lobista Roberta Luchsinger, que é amiga de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Essa estratégia visa reduzir o impacto gerado por declarações de Lula, nas quais ele afirmou não conhecer Luchsinger.
Após uma entrevista na TV Globo, realizada na quinta-feira, 27 de agosto de 2026, a equipe de Lula realizou uma pesquisa para avaliar a repercussão da sua aparição. Os resultados indicaram que 73% dos entrevistados avaliaram sua performance como ótima, boa ou regular, enquanto 27% a consideraram ruim ou péssima. A pesquisa envolveu 2.500 participantes e é uma prática comum entre campanhas políticas para entender a percepção pública e ajustar suas abordagens.
Trackings são instrumentos de pesquisa utilizados para monitorar a intenção de voto e as reações do eleitorado em tempos curtos. Ao contrário das pesquisas tradicionais, que devem ser registradas formalmente e seguir normas específicas, esses levantamentos são destinados ao uso interno das campanhas.
Durante a entrevista, Lula se referiu a Luchsinger de forma contundente, chamando-a de “pilantra” e reiterando que não a conhece pessoalmente: “Não conheço essa moça, nunca vi na minha vida”, afirmou o presidente. Contudo, o perfil de Luchsinger no Instagram contém várias fotos em que aparece ao lado de Lula, algumas datadas entre 2018 e 2023. Em uma postagem de julho de 2022, ela mencionou a amizade em uma legenda que dizia: “Quem tem amigos, tem tudo”.
Além disso, Lula comentou que, até o momento, não há evidências de que tenham sido utilizados recursos públicos nas conversas investigadas pela Polícia Federal. Ele também destacou que não há acusações formais contra Lulinha, mencionando que as suspeitas se baseiam em conjeturas tiradas de diálogos interceptados. O presidente afirmou que seu filho deve esclarecer quaisquer irregularidades que possam ter ocorrido.
Na sexta-feira, 28 de agosto, a campanha de Lula emitiu uma nota informando que as fotografias com Luchsinger não implicam nenhuma relação pessoal ou profissional. “O presidente Lula é uma figura pública que frequentemente é abordada para registros fotográficos, e a existência dessas imagens não significa vínculos de qualquer natureza”, esclareceu a nota oficial.
Contexto e Implicações
A controvérsia em torno de Luchsinger e Lulinha levanta questões sobre a ética nas relações entre políticos e lobistas. O uso de trackings como ferramenta de gerenciamento de crises já é uma prática consolidada, mas neste caso específico, pode indicar preocupações mais amplas sobre a percepção pública de Lula e sua família.
À medida que a campanha avança, é esperado que novos desdobramentos e investigações surjam, intensificando o debate sobre a influência do lobby na política brasileira e a transparência nas relações entre agentes públicos e privados.




