Estudo Inova ao Comparar Caminhada e Treinamento Aeróbico para Asmáticos

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) aponta que aumentar a quantidade de passos diários pode ser uma alternativa tão eficaz quanto o treinamento aeróbico estruturado no controle da asma moderada a grave. Publicada na revista Pulmonology, a pesquisa sugere que as duas abordagens oferecem benefícios significativos para a qualidade de vida dos pacientes, além de aliviarem sintomas de ansiedade e depressão.

O trabalho foi desenvolvido durante o doutorado do fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro, na Faculdade de Medicina da USP, em colaboração com a Unidade de Doenças das Vias Aéreas do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (HC). O projeto contou com o apoio da Fapesp e do CNPq.

Metodologia e Resultados do Estudo

O estudo envolveu 480 pacientes com diagnóstico de asma moderada a grave, dos quais 52 foram selecionados para participar. Estes voluntários eram sedentários e tiveram que completar uma triagem para garantir que estivessem clinicamente estáveis e sem histórico de exacerbações recentes. Durante o estudo, os participantes passaram por intervenções que duraram dois meses, seguidas de uma reavaliação quatro meses depois.

Os voluntários foram divididos em dois grupos: o primeiro participou de sessões de treinamento aeróbico supervisionado no HC, enquanto o segundo recebeu orientações sobre aumento da atividade física, com foco em caminhadas e metas semanais. Ao longo do processo, ambos os grupos usaram dispositivos para monitorar seus níveis de atividade física e qualidade do sono.

Impacto da Atividade Física na Saúde Mental e Física

Os dados coletados mostraram que, independentemente da abordagem adotada, os pacientes apresentaram uma diminuição nos sintomas respiratórios e uma melhora na qualidade de vida. “Não houve diferença significativa entre os dois grupos em termos de controle da asma”, afirma Pinheiro. “No entanto, o treinamento aeróbico requer mais recursos e supervisão, enquanto a caminhada é uma opção mais acessível.”

Após os dois meses de intervenção, os pesquisadores não mantiveram contato com os participantes por quatro meses, permitindo que seguissem suas rotinas. Quando reavaliados, muitos dos que participaram do treinamento aeróbico relataram ter iniciado atividades em academias, enquanto os que adotaram a caminhada mantiveram essa prática no dia a dia.

Desafios e Variações na Adesão ao Tratamento

Embora os resultados tenham sido positivos, a variação climática se mostrou um obstáculo para a continuidade das atividades físicas. Os pesquisadores notaram uma queda nos passos diários em ambos os grupos após o follow-up, embora os números ainda fossem superiores aos registrados antes do início da intervenção.

O aumento médio de passos diários no grupo de treinamento aeróbico foi de 1.537, enquanto no follow-up caiu para 983. Já no grupo de intervenção comportamental, o aumento foi de 1.126 passos, com um leve declínio para 996 após quatro meses. Esses resultados levantam questões sobre a eficácia a longo prazo de cada abordagem.

Considerações Finais e Recomendações

Pinheiro enfatiza que, independentemente da estratégia escolhida, o uso contínuo de medicação é essencial para o controle da asma. “Tanto o treinamento aeróbico quanto a intervenção comportamental devem ser vistos como complementos ao tratamento medicamentoso prescrito pelos médicos”, conclui.

O artigo completo intitulado Aerobic training versus behavioural intervention to increase physical activity on clinical control of people with moderate-to-severe asthma: A randomised clinical trial está disponível para leitura e oferece uma visão detalhada sobre os impactos dessas intervenções na saúde dos pacientes asmáticos.