A Caixa Econômica Federal começou a aceitar, desde julho, a renda de motoristas de aplicativos como formal. Agora, esses trabalhadores podem comprovar seus rendimentos utilizando extratos de recebimentos das plataformas em que atuam, algo que antes era visto como renda informal.
Para validar esses ganhos e analisar os pedidos de crédito, a Caixa solicita um relatório dos últimos quatro meses da plataforma em que o motorista está cadastrado, adotando como base a menor remuneração obtida nesse período.
Clausens Duarte, Vice-Presidente de Habitação de Interesse Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Diretor-Presidente da CR Duarte, expressou sua preocupação em relação ao impacto do elevado endividamento das famílias brasileiras na obtenção de crédito imobiliário por parte desses trabalhadores. Em julho de 2026, o percentual de famílias endividadas alcançou 82%, o maior desde 2015.
Duarte destacou que, durante a análise de crédito, o banco avalia a situação financeira do solicitante, o que inclui o nível de endividamento pré-existente. “Essa situação no Brasil nos preocupa”, afirmou. Ele ainda mencionou que muitos trabalhadores nas camadas sociais mais vulneráveis estão priorizando jogos de apostas em detrimento de necessidades básicas, como a compra de alimentos.
A Caixa, por sua vez, mantém que a análise de crédito leva em consideração a capacidade de pagamento do cliente. No financiamento habitacional, a parcela a ser paga pode comprometer até 30% da renda familiar bruta, dependendo das condições do financiamento. Contudo, Clausens enfatizou que nem todos os motoristas de aplicativos conseguirão adquirir um imóvel próprio, especialmente aqueles que já têm uma parte significativa de sua renda comprometida com outras dívidas.
Ele mencionou o caso de um trabalhador cuja renda já possui 30% comprometida com financiamentos diversos, como um carro e uma geladeira. “Embora a medida traga mais simplicidade para o trabalhador do aplicativo, se ele já tiver outras obrigações financeiras, isso pode ser um empecilho. A Caixa considerará que uma parte de sua renda já está comprometida e isso afetará sua capacidade de obter um novo financiamento”, declarou.
O executivo ainda destacou que o perfil mais favorecido pela nova medida da Caixa é o público atendido pelo programa Minha Casa, Minha Vida, especificamente nas faixas 2 e 3 de renda. Para a faixa 2, o limite de renda é de R$ 5.000, enquanto a faixa 3 permite rendimentos de até R$ 9.600. As faixas de renda do programa são definidas da seguinte forma:
- Faixa 1: Renda familiar mensal de até R$ 3.200
- Faixa 2: Renda familiar mensal de R$ 3.200,01 a R$ 5.000
- Faixa 3: Renda familiar mensal de R$ 5.000,01 a R$ 9.600
- Faixa 4: Renda familiar mensal de R$ 9.600,01 a R$ 13.000




