Os países membros do BRICS estão explorando maneiras de facilitar as transações financeiras entre si, com ênfase na conexão de sistemas de transferências rápidas e na implementação de moedas digitais emitidas por bancos centrais. A revelação foi feita pelo presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra, em um evento bancário realizado em Mumbai.
A proposta visa tornar as operações internacionais mais ágeis e econômicas, refletindo a intenção da Índia, que ocupa a presidência do BRICS este ano, de aumentar o uso de sua moeda nacional, a rúpia, nas transações comerciais com outras nações.
“Diversas opções estão sendo consideradas”, afirmou Malhotra, ressaltando que entre as alternativas estão a integração de sistemas de pagamentos instantâneos e a utilização de moedas digitais de bancos centrais. O foco é simplificar as transferências entre indivíduos e empresas de diferentes países, o que pode resultar em uma considerável diminuição de etapas e custos envolvidos.
Atualmente, os pagamentos internacionais frequentemente exigem a intermediação de múltiplos bancos e sistemas financeiros, o que pode prolongar o tempo das operações e aumentar os custos. Uma integração mais eficaz prometida pelo BRICS pode ser um passo importante nesse sentido.
Formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China, o BRICS ganhou a participação da África do Sul e, nos últimos anos, expandiu seu número de membros para 11 países. Coletivamente, esses países detêm uma parte significativa da economia global, o que torna suas discussões sobre moedas locais e a redução da dependência do dólar particularmente relevantes.
A possibilidade de um sistema de moeda comum entre os membros do BRICS não passou despercebida por autoridades americanas. O ex-presidente Donald Trump expressou preocupações sobre uma moeda unificada do bloco representar uma ameaça ao dólar americano, sugerindo a aplicação de tarifas mais altas contra nações que apoiassem tal projeto.
Apesar das discussões em andamento, o presidente do Banco Central indiano fez questão de enfatizar que não há um modelo definitivo para a integração dos sistemas de pagamento no âmbito do BRICS até o momento. Essas conversas surgem logo após a rejeição do governo indiano à proposta de uma moeda única para o bloco, uma decisão que foi confirmada pelo ministro do Comércio e da Indústria da Índia, Piyush Goyal.




